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No dia da Consciência Negra, abolir expressões racistas pode findar preconceito

Expressões são um dos pontos mais discutidos no que simboliza o racismo estrutural

20 novembro 2021 - 09h30Por Vinicius Costa

O racismo e a injúria racial ainda é um problema estrutural e visto com bastante frequência no país. Por isso, o mês de novembro, por exemplo, é dedicado também a Consciência Negra e comemorado no dia 20 como uma forma de coibir e findar o preconceito enraizado.

Entre esses problemas que passam despercebidos, expressões são um dos pontos mais discutidos no que simboliza o racismo estrutural.

Nesse meio tempo, os termos passam despercebidos, mas que contam muito sobre a história de um país marcado pela escravidão, como ressalta o coordenador do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas da Estácio de Sá, Paulo Sergio Gonçalves.

"As pessoas usam certos termos, convivem com atitudes racistas e nem percebem. Em um país em que mais de 50% da população é negra, isso é muito grave", comentou.

O professor explica que não basta entender que existem expressões racistas, mas que é preciso combatê-las para conseguir quebrar a lógica do racismo estrutural na sociedade brasileira.

Algumas expressões ainda utilizadas contam com um cunho racista, mas que seguem no vocabulário dos brasileiros, mas que apresentam histórias e um racismo estrutural, entre elas, está a palavra mulata muito usado para se definir uma mulher negra, mas que hoje não é mais aceitável e é considerado pejorativo.

Outra palavra é cor do pecado, utilizada como elogio, se associa ao imaginário da mulher negra sensualizada. A ideia de pecado também é ainda mais negativa em uma sociedade pautada na religião, como a brasileira.

'Não sou tuas negas', também é uma expressão usada pelos brasileiros, mas que condiz com um racismo estrutural. A mulher negra como “qualquer uma” ou “de todo mundo” indica a forma como a sociedade a percebe: alguém com quem se pode fazer tudo. Escravas negras eram literalmente propriedade dos homens brancos e utilizadas para satisfazer desejos sexuais, em um tempo no qual assédios e estupros eram ainda mais recorrentes. Portanto, além de profundamente racista, o termo é carregado de machismo.

Cabelo ruim ou cabelo duro são falas racistas mais usadas, principalmente na fase da infância, pelos colegas. No entanto, elas se perpetuam até a vida adulta. Falar mal das características dos cabelos Afro também é racismo.

Macumbeiro, galinha de macumba e até mesmo a tradicional chuta que é macumba continuam no vocabulário e isso significa uma expressão que discrimina as(os) praticantes de religiões de matriz africana.