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sábado, 19 de setembro de 2020
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Pais apoiam filho com boneca negra e carrinho rosa em shopping

A família do menino tenta desconstruir ensinamentos de que 'menino brinca apenas com carrinho e menina com boneca'

24 março 2019 - 13h15Por Da redação/Só Notícia Boa

A cena de Benjamin, de 3 anos, empurrando um carrinho rosa, com uma boneca negra dentro, chamou a atenção no shopping Iguatemi, em São Paulo, no último domingo e provocou reações lá e nas redes sociais. Algumas pessoas estranharam, outras sorriram, mas a família conta que Benjamin estava apenas imitando o pai, o médico ortopedista infantil David Gonçalves Nordon, de 30 anos, empurrando a irmãzinha, Melissa, de 3 meses.

Mas até explicar para os outros que focinho de porco não é tomada… a polêmica estava armada.  “Nós vimos alguns olhares reprovadores, sim. Eu percebi algumas caras bem feias. Mas graças a Deus meu filho não percebeu isso. A maioria dos olhares foi de pessoas que estavam achando fofo, bonito, que percebiam que ele estava imitando o pai. Ele estufou o peito”, contou a mãe, Mirian Nordon, 33, em entrevista ao SóNotíciaBoa.

Mirian, que é enfermeira, preferiu focar no positivo. “Eu preferi focar nos olhares de aprovação, de pessoas que acharam bonito porque maldade a gente vê, mas a gente tem que focar nas pessoas que acharam legal, até para proteger o seu filho. Eu não ia ficar devolvendo olhares feios. Eu estava muito feliz pra isso, muito orgulhosa tanto com meu filho quanto com meu marido”, contou.

Brinquedo não tem sexo

A família de Mirian tenta desconstruir ensinamentos de que 'menino brinca apenas com carrinho e menina com boneca'. “Se brinquedo é para um sexo específico, ele não é para criança,  né? Brinquedo é brinquedo!  Não tem essa de é para menino ou para menina”, analisa.

“O meu filho enxerga a boneca como sendo a Melissa, que é a irmã e ele nunca fez essa associação a Melissa é branca e a boneca é negra. É a pureza das crianças, né? Pra mostrar como a criança é pura, livre de preconceito. O preconceito está no adulto. Eu acredito que se dá pra criar para ser preconceituoso, dá pra educar para não ser”.

“As pessoas precisam de informação. O problema do preconceito é a ignorância no sentido literal da palavra”, afirma.

A compra

A mãe conta que a boneca foi comprada pelo marido dela há mais de um ano, para dar aulas como ortopedista infantil, mas Benjamin acabou gostando e ficou com ela. Perto do aniversário do Benjamin, o menino queria um carrinho e o casal só encontrou o cor-de-rosa para comprar.

“Na hora de comprar, só tinha rosa, mas meu marido falou: ‘Mirian, ele ama carrinho de boneca, vamos levar esse e pronto”, lembra.

Comentários

Das palavras que recebeu na postagem no Instagram, uma incomodou Mirian. “Foi um comentário preconceituoso disfarçado, que me incomodou. Foi justamente de uma pessoa que queria que eu dissesse que a boneca era menino. Como se ficasse tudo bem se fosse menino e não menina” lembra.

Perguntada se acha que brinquedos podem influenciar na sexualidade das crianças, Mirian respondeu ao SNB: “Pode influenciar somente a confiança de achar que se pode ser qualquer coisa”.

“Menina que só brinca de boneca pode acreditar que não pode ser nada além de mãe é dona de casa. E menino que não pode brincar de boneca pode achar que a obrigação de cuidar dos filhos é só da mulher. Veio meu filho pra entender que a obrigação de limpar é de quem suja! Os casais precisam ser parceiros e não a mulher empregada e o marido chefe”, concluiu Mirian.

Ela e o marido criam os filhos para serem felizes, do jeito que eles quiserem ser. “A nossa ideia é de que a criança seja livre, feliz, que não tenha essa opressão. Porque a criança não tá pensando nisso. Ela tá brincando, reproduzindo a idade dela. A cima de tudo a gente quer que ele seja feliz, seja livre”, concluiu Mirian.

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