A data do acidente que deixou o professor de futsal e motorista, Joel Lidio Faustino, 37 anos, sem a perna esquerda vem à sua cabeça com a rapidez de quem se lembraria da sua data de nascimento. "1º de setembro de 2009". A verdade é que a data pode não ser a mesma do dia em que veio ao mundo, mas passou a ser a de seu renascimento. A falta de um dos membros se tornou quase indiferente diante do que Joel conseguiu alcançar em virtude de sua deficiência. Inspirado por um amigo, ele encontrou forças para lutar e passou a dedicar sua vida a ajudar quem possui a mesma deficiência.
Sobre o dia do acidente, Joel, imediatamente agradece pela tragédia não ter sido maior, na avenida dos Cafezais, no bairro Paulo Coelho Machado, região sul de Campo Grande. "Eu esta voltando da casa da minha mãe para as Moreninhas. Por sorte, minha esposa e meu filho vieram antes", relembra. Joel estava em uma motocicleta quando foi atingido por um carro. A avenida escura acabou propiciando a colisão.
O ano que se seguiu depois do acidente foi de desilusão. Ainda sem a prótese, as dificuldades para trabalhar e a certeza de que nunca mais voltaria a jogar futebol, sua maior paixão, aumentaram ainda mais sua frustração. Em 2010, o treinador encontrou uma inspiração. "Reencontrei um amigo da época em que servi o quartel que também tinha perdido uma das pernas devido a picada de uma cobra", contou. O amigo já estava andando e levava a vida normalmente.

(Foto: Geovanni Gomes)
A partir desde momento, Joel passou a ajudar outras pessoas que tinham perdido a perna por meio do programa "Amigos do Joel". Cadeiras de rodas usadas, muletas e até mesmo roupas passaram a ser doados para que o treinador distribuísse entre que os que precisavam. O programa chegou a atender 465 pessoas com deficiência. De acordo com Joel, a maioria tem o membro amputado por conta de envolvimento em acidentes de moto. "Calculamos que seja de 10 a 15 pessoas percam a perna por dia", afirma.
Um ano depois do acidente, Joel conseguiu uma prótese. Mas descobriu que ela ainda não era a solução para que voltasse a ter uma vida normal. "A prótese era sem qualidade. Machucava e não dava comodidade na locomoção", relembra. A partir disto, Joel iniciou uma nova missão. Mobilizou outras pessoas, procurou políticos, até que fosse realizada uma audiência pública para discutir o assunto. A partir da iniciativa uma nova prótese passou a ser distribuída pelo poder público em parceria com a APAE (Associação de Pais e Amigos de Excepcionais).

(Foto: Geovanni Gomes)
Apesar de todas as conquistas, a maior realização de Joel é o esporte. Com a nova prótese e a facilidade de locomoção ele voltou a se envolver com o futebol, sua paixão desde a adolescência, período no qual guarda a maioria das lembranças. "Hoje treino a equipe de futsal de 15 alunos da Escola Vida Feliz e também ajudo uma equipe de basquete composta por deficientes", afirma.
Na primeira equipe composta, o próprio filho de Joel foi escalado como um dos membros. Para ele, ensinar as crianças é uma forma de quebrar os preconceitos desde a tenra idade. "Ele aprendem a importância que as pessoas com deficiência têm dentro da sociedade. Eu procuro ensinar isso para eles e eles vão quebrando esta barreira."








