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22/01/2015 14:58

Apenas uma dança: para encarar o câncer, jovem divide tratamento com o mundo

Superação

Aos 26 anos, Carolina Sawada Torres, teve uma vida intensa. Fez duas faculdades, viajou o mundo, comeu tudo o que teve vontade... Tudo isto acompanhado de um belo sorriso estampado de orelha a orelha e uma vontade desmedida de viver. Porém, em novembro do ano passado, a publicitária foi diagnóstica com um tumor maligno no cérebro e decidiu que se abalar não era solução. Ao tratamento acrescentou, por conta própria, a positividade e a importância de compartilhar sua experiência com o mundo.

Com o diagnóstico recente e o início quase que imediato do tratamento, Carolina descartou a hipótese de ficar explicando para uma a uma das pessoas o que estava acontecendo. O atalho foi criar uma fanpage no Facebook para relatar passo a passo de seu tratamento. 'Dancing With Cancer' foi a solução que ela encontrou para encarar a doença como uma de suas viagens: passageira.

Para esta dança, Carolina se fez de displicente e tentou ignorar o convite do par. Mas os inesperados espasmos no lado esquerdo do rosto já estavam se tornando constrangedor. Depois de quase um ano sentido o sintoma, procurou um médico. "Eu achava que era algum tipo de estresse, pois tinha perdido o meu pai um pouco antes de começar a sentir isto", explicou.

 O diagnóstico acabou sendo bem além do esperado. Os exames apontaram para a existência de um tumor com cerca de 6 cm por 4 cm e 3 cm de profundidade, no cérebro. Após, a descoberta, Carolina embarcou para São Paulo para realizar a cirurgia de remoção do tumor. "Aqui não tinha muita estrutura para este tipo de cirurgia", relembra.

 Tratamento com quimioterapia é feito em casa. (Foto: Deivid Correia)

Carolina foi diagnosticada com tumor no lado esquerdo do cérebro. (Foto: divulgação)

 

Além do risco de intervir em um órgão vital, ao fazer o corte para cirurgia, o médico se deparou com mais um desafio. O tumor era da mesma cor do órgão e o procedimento teve de ser feito apenas por meio de orientação digital. Entretanto, a cirurgia correu bem ao ponto da paciente desejar comer um bife à parmegiana ao primeiro sinal de lucidez.

O desejo era apenas o primeiro sinal do humor com que Carolina encararia o tratamento dali para frente. A operação ocorreu no dia 22 de novembro, Carolina não ficou nem 24 horas na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e uma semana depois, já estava em casa para dar início a radioterapia e a quimioterapia.

Tratamento com quimioterapia é feito em casa. (Foto: Deivid Correia)

 Refeição após passar por cirurgia. (Foto: divulgação)


A dança

Com o retorno ao lar, gente para saber o que ela estava passando ou com receio de perguntar não faltou. Daí, começaram os primeiros relatos em seu diário virtual. "Eu via as pessoas muito deprimidas e achei uma forma de dar esse notícia e ajudar as pessoas a ficarem bem", relembra.

Como já havia realizado três intercâmbios e viajado para vários países, atendeu ao pedido de colegas e tornou a página bilíngue. A iniciativa fez com que o alcance de sua história fosse ainda mais abrangente, a aproximando de relatos semelhantes ao seu. "Conheci uma menina do Japão que tinha tido o mesmo problema, mas ela ficou muito mais debilitada", afirma.

As conversas e contatos possibilitados pela página mostraram mais ainda a importância de Carolina encarar a situação como algo passageiro e com doses enormes de otimismo. "Eu não me considero doente e nem minha família me trata como se eu fosse", afirma.

Nem mesmo a cicatriz no topo da cabeça foi capaz de descontrolar o emocional da jovem, mas quando os primeiros fios de cabelo começaram a cair foi necessário se segurar. "O mais difícil foi o cabelo. Eu amava eles", afirma.

Tratamento com quimioterapia é feito em casa. (Foto: Deivid Correia)

 Com a peruca feita com seus próprios cabelos. (Foto: Divulgação)

Mesmo tamanha paixão, não impediu a coragem de deixá-los curtos antes mesmo de caírem. Mas também não permitiu que eles fossem para o lixo. Aproveitou os longos fios cortados e fez um peruca preservando, inclusive, as mechas californianas. "Aproveitei também para usar um monte de peruca colorida", explicou.

Tratamento com quimioterapia é feito em casa. (Foto: Deivid Correia)

 Brincando com a peruca e a cadela Francisca. (Foto: Divulgação)

Para realizar o tratamento, a jovem deu um tempo nas viagens, mas mesmo assim não deixou de fazer planos para o futuro. " Tem o casamento de uma amiga minha na Tunísia. Também quero fazer um trabalho voluntário", afirma. Concluir o curso de Administração, UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) também está entre as metas.

Quem tiver curiosidade em acompanhar a história de Carolina é só acessar a página 'Dancing With Cancer' pelo site de relacionamento Facebook.

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