A partir de uma experiência em iniciação científica com alunos do Ensino Médio, a professora e pesquisadora Daniely Queiroz encontrou um caminho pouco explorado: transformar frutos nativos do Cerrado e do Pantanal em matéria-prima para a produção de cosméticos. O trabalho, que começou em laboratório, hoje se desdobra em fórmulas inéditas, resultado de pesquisa científica aplicada à bioeconomia.
O diferencial está na combinação entre conhecimento científico e biodiversidade. Frutos como o acuri e a bocaiúva revelaram propriedades físico-químicas e biológicas capazes de beneficiar pele e cabelo. Essas substâncias naturais foram incorporadas em fórmulas desenvolvidas com nanotecnologia, recurso que potencializa os efeitos e amplia a eficácia dos produtos.
Mais do que uma resposta estética, a pesquisa parte de uma preocupação com a saúde pública e o meio ambiente. Estudos apontam que 15% da população mundial sofre de dermatite ou sensibilidade causada por cosméticos convencionais, geralmente devido a conservantes como parabenos e a óleos minerais. Esses compostos também impactam o ecossistema: chegam aos rios pelo esgoto, reduzem oxigênio na água e aumentam a presença de microplásticos.
Ao valorizar insumos locais e evitar derivados de petróleo, a proposta incentiva práticas agroextrativistas, agrega valor às árvores nativas e reforça a preservação ambiental. “Cosméticos são de uso diário, o impacto é direto tanto na saúde das pessoas quanto na qualidade da água e do solo. Por isso precisamos de soluções mais limpas e sustentáveis”, resume Daniely.
A iniciativa, que deu origem à Curie Biocosméticos, ganhou força ao participar do programa Inova Cerrado, do Sebrae/MS em parceria com a Semadesc e a Fundect, voltado ao fomento de soluções em bioeconomia. Reconhecido entre os melhores projetos do ciclo, o trabalho agora se volta à etapa de crescimento, mas mantém como eixo central a inovação científica e o uso sustentável da biodiversidade sul-mato-grossense.







