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Pneu velho de bike vira acessório de estilo em criação premiada de adolescentes

13 novembro 2015 - 08h02Por Amanda Amaral

Indeterminado: esse é o tempo de decomposição de pneus de borracha comuns, um dos maiores vilões do descarte irregular de materiais na natureza. Pensando nisso, uma equipe de jovens campo-grandenses, de 15 a 17 anos, elaborou um projeto que uniu a sustentabilidade e utilidade, reaproveitando o material descartado de maneira inteligente.


Meses de pesquisa resultaram no ‘Tyrebelt’, que, em tradução livre significa ‘cinto de pneu’, criação que rendeu o 1º lugar no maior fórum de empreendedorismo jovem do país, a 7ª edição do Findinexa Brasil, realizado no Piauí e disputado entre 18 estados brasileiros e mais três países da América Latina.


O projeto começou a ser pensado em abril, através da Junior Achievement, associação educativa sem fins lucrativos, mantida pela iniciativa privada, cujo objetivo é despertar o espírito empreendedor em jovens estudantes, como foi o caso dos adolescentes da Escola Status. Em Mato Grosso do Sul, a associação já existe há seis anos e foi fundada pelo SEBRAE.


O presidente da miniempresa criadora do Tyrebelt, Guilherme Gabriel Nascimento, de 16 anos, relembra um pouco como foi o processo, marcado pela persistência e dedicação. “Cerca de 20 a 30 alunos começaram a se reunir para decidir o que poderia ser desenvolvido, em um brainstorming. Nos encontrávamos todos os sábados na escola, mas depois começaram as aulas de educação física no mesmo horário e quase todo mundo desistiu”, conta.


No início, cada um expôs ideias sobre produtos e materiais a serem reaproveitados, entre eles o bambu, papel reciclado e borracha. Cerca de nove ideias foram reduzidas a duas, até que os cintos conquistaram a maioria e começaram a ser produzidos, com a matéria prima vindo de doações de pneus de bicicleta inutilizáveis, de borracharias que apoiaram o projeto.

Para avaliar a aceitação do produto customizado, os jovens passavam inclusive de casa em casa, na vizinhança da escola, para perguntar às pessoas se elas gostavam e o comprariam.

A estudante Isabela Cristina de Oliveira Campos, 16 anos, era de São Paulo e nunca tinha participado de projeto semelhante. “Aprendi demais nem acredito que isso abriu tantas portas. É uma honra ser destaque já regionalmente, mas como fomos reconhecidos entre tantos projetos legais, ficamos realmente surpresos e felizes”, diz.

Os vários modelos de pneus permitem que cada item tenha um ‘design’ diferente. “Vemos primeiro se dá pra utilizar, se não está muito gasto, depois tiramos o aro e recortamos conforme o modelo permite. No começo era muito bruto, vendíamos a R$ 10 mesmo só para cobrir os custos. Hoje, como ele já está mais bem feito, vendemos à R$ 20”, explica o outro participante da equipe, Gabriel de Souza Lombardi da Silva, também com 16 anos.

O projeto acabou, mas os jovens até pensam em continuar levando a ideia pra frente e melhorando as técnicas de confecção. Por enquanto, os cintos artesanais de vários modelos e tamanhos podem ser adquiridos através do contato pela página de Facebook do projeto.