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Pioneiro do Jiu-Jitsu em MS, professor 4º Dan desmistifica má reputação do esporte

Jiu-Jitsu no Estado

16 novembro 2013 - 17h20Por Kerolyn Araújo e Vanessa Ricarte

“Ao contrário do que o senso comum dita, os verdadeiros praticantes do Jiu-Jitsu têm um profundo sentimento de respeito pela vida e encontram na disciplina a evolução de si mesmos.”

As palavras são de Claudionor Cardoso, faixa preta em Jiu-Jitsu e 4º Dan (graduação acima da faixa preta) no esporte. O mestre, que prefere ser chamado de professor mesmo, já que para ele, “mestre” será quando atingir o 7º Dan, veio de São Paulo para ensinar a arte em Mato Grosso do Sul em 1995.

Segundo Claudionor, na época não existia nenhum profissional que ensinasse o verdadeiro Jiu-Jitsu em Campo Grande. "Quando eu cheguei aqui na cidade, apesar do esporte não ser tão conhecido, muita gente já me conhecia através das fitas de VHS. As pessoas filmavam as minhas lutas em São Paulo e colocavam nas locadoras. Qualquer um poderia locar e assistir os confrontos", conta o lutador.

Claudionor começou a praticar o esporte aos 18 anos de idade, na cidade de São Paulo, depois que, a convite de um amigo, foi assistir à uma luta. Quase 30 anos depois, o professor já coleciona vários títulos. Em 46 lutas oficiais, ele perdeu apenas 5, tendo mais de noventa por cento de aproveitamento.

Jiu-Jitsu, que em japonês, significa “suavidade”, “brandura” e “técnica”, é uma arte marcial originária da Índia e desenvolvida no Japão. A luta acontece predominantemente no solo, onde o lutador domina e submete o oponente com golpes de estrangulamento e faz uso das alavancas e articulações do corpo.

De acordo com o professor, a arte marcial é a mais indicada para quem procura defesa pessoal, por se tratar de um esporte que não exige força dos praticantes, mas sim jeito. "Já vi mulher se livrar de estupro usando as técnicas do Jiu-Jitsu", conta Claudionor.

Projetos sociais

Desde 2005, o professor tem um projeto em três escolas estaduais do Estado, onde dá aulas de Jiu-Jitsu. Segundo ele, no começo havia uma certa resistência por parte das escolas, por associarem a arte marcial à violência. Mas, com o passar do tempo, os preconceitos em relação à luta foram acabando. "As pessoas estão percebendo que acima de tudo o Jiu-Jitsu é um esporte. Para participar das minhas aulas nas escolas, os alunos devem ter bom rendimento nas outras disciplinas. Se brigar ou entrar em qualquer confusão, o aluno é proibido de praticar o esporte", comenta o professor.

Dono de academia e com vários alunos, Claudionor enxerga um problema em alguns pais que têm filhos que praticam o jiu-jitsu. "Às vezes o filho não vai muito bem na escola ou arruma algum problema e, como forma de punição, em vez de tirar a baladinha do fim de semana, o dinheiro do shopping  e outras coisas, vai e tira o filho do treino. Há uma inversão de valores aí. Ele está tirando o filho de um esporte, de algo que também é saúde. E o que deveria cortar para ensinar o que é certo, acaba deixando o filho fazer o que é errado", conta Claudionor, o mestre da arte marcial e no ensino regular.

 

 

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