Há 15 anos de magistério, o professor e músico Ricardo Yuji Mise, 38 anos, dedica sua vida ao ensino público e à arte. Graduado em licenciatura em música pela UFMS e pós-graduado em Docência do Ensino Superior, ele acredita que a educação é uma das formas mais potentes de transformação social, mas reforça que ainda é preciso lutar muito pela valorização dos professores.
Ricardo conta que a docência não foi um sonho de infância, mas uma descoberta natural. “Gostava de música e queria trabalhar com isso. Fiz faculdade de música sem nem saber a diferença entre licenciatura e bacharelado. Passei no concurso em 2009 e desde então estou feliz na escola pública”, relembra.
Além de educador, Ricardo é músico e vê semelhanças entre os dois palcos onde atua: “Tanto em sala de aula quanto no palco, é preciso planejamento. A espontaneidade só funciona quando há preparo. Ambos são apresentações, e quanto mais ensaiadas, melhor o resultado.”
Entre suas experiências marcantes, ele recorda projetos audiovisuais feitos com os alunos, como videoclipes e curtas criativos. “Teve um aluno que teve crise de riso nas gravações de um curta surrealista sobre o Batman. Eu sempre digo que minha profissão é difícil, mas estou sempre dando risada”, conta, rindo.
Com humor e firmeza, Ricardo busca equilibrar disciplina e liberdade criativa. “Sou engraçado quando preciso ser, mas sério quando é necessário. Digo aos alunos que estudar é cansativo, e tudo bem. Assim como exercícios físicos, o estudo também exige esforço e maturidade.”
Atento às mudanças no comportamento dos jovens, o professor observa que os desafios atuais não estão apenas dentro da escola. “Eles percebem o quanto o mercado de trabalho é predatório, e isso afeta a forma como enxergam o futuro. O problema é quando acreditam que o empreendedorismo é a única saída. A sociedade é feita de colaboração, não de competição”, reflete.
Ricardo também acredita que, apesar das críticas, a educação hoje é mais humana. “Temos mais diversidade e aceitação. Antigamente o bullying era incentivado, e o respeito às diferenças era menor. Hoje, o desrespeito é malvisto, isso já é um avanço”, analisa.
Como mensagem final, o professor deixa um recado aos colegas de profissão: “Não desprezem o próprio trabalho nem as lutas de quem veio antes. Os direitos que temos foram conquistados com muito esforço. Honrar essas pessoas é fazer o trabalho com carinho e acreditar nos nossos alunos, porque, sem isso, perdemos a fé em nós mesmos.”







