O que nasceu da dor se transformou em propósito de vida, agora é um projeto que acolhe e salva vidas com apoio emocional, em Campo Grande. A psicoterapeuta holística Jaqueline Lopes Milanezi, que viu no sofrimento das filhas a motivação para ajudar outras pessoas, conseguiu apoio de duas associações para dar início ao projeto “Abraçando Vidas”, que oferece atendimentos gratuitos de suporte emocional e psicoterapêutico.
Conforme a psicoterapeuta, a primeira reunião de acolhimento ao público acontece nesta quarta-feira (8), às 19 horas, na Associação de Moradores do Caiçara, localizada na Rua Vila Lobos, no bairro Caiçara.
“Consegui duas associações que vão me dar suporte, me oferecendo sala para esse atendimento feito de forma voluntária. Esse processo já está em andamento e a gente já vai dar início nesta quarta-feira, com triagem dos participantes e dos primeiros atendimentos, que começam já na quinta-feira”, conta Jaqueline, emocionada.
Ela explica que o projeto é voltado as pessoas em vulnerabilidade que não têm condições de pagar por tratamento, mas que precisam de apoio para lidar com depressão, ansiedade e outras dores emocionais.
“Ali eu vou fazer uma peneirada, vou ver quem necessita de forma mais urgente e já vou colocando nas listas. A partir de quinta e sexta, começo os atendimentos com quem está com o mental mais abalado. Mas ninguém vai ficar de fora. O intuito é atender toda a população que precisa e não tem condições de pagar”, garante.
Os atendimentos serão individualizados e presenciais. “Cada pessoa será avaliada conforme a necessidade. A ideia é trazer o paciente de volta para a vida, ajudá-lo a reencontrar o equilíbrio. É um trabalho que vai além da medicação, porque eu busco a raiz da dor e trato ela”, explica.
Segundo Jaqueline, a psicoterapia atua como um complemento essencial ao tratamento psiquiátrico, ajudando o paciente a enfrentar traumas e medos que alimentam a doença. “O psiquiatra joga a boia para quem está afundando, o psicólogo ensina a segurar a boia, e o psicoterapeuta puxa a boia e ensina a nadar”, resume.
O “Abraçando Vidas” conta com o apoio da Associação Sul-Mato-Grossense de Fibrose Cística e da Associação de Moradores dos Bairros Caiçara e Anahí, que abraçaram a iniciativa.
Para Jaqueline, o projeto é a materialização de tudo o que viveu ao longo dos últimos anos, desde quando precisou parar de trabalhar como cabeleireira para cuidar das filhas que enfrentavam depressão profunda.
“Ajudar as pessoas faz um bem grandioso. O governo não dá o suporte necessário, e a terapia é um dos melhores caminhos. Eu sou prova disso, porque foi o que curou as minhas filhas. Agora quero passar isso adiante, esse é o meu legado”, afirma.







