De uma expressão mais suave a um papo reto sem trava na língua. O rap se mostra da forma versátil que é mesmo no cenário restrito das representantes do gênero em Mato Grosso do Sul. A baixa estatura ou qualquer traço que possa lembrar alguma delicadeza, passa despercebido diante de tanto estilo e, mais ainda, de toda atitude das rimas composta por Becky Bee e pela dupla RastaNigga.
A meninas são novas. Têm entre 17 e 18 anos. Mas, como a responsabilidade de ser pioneiro quase sempre cai em quem tem mais tempo para executar, coube a elas explorar o mundo essencialmente masculino do rap. Assumiram a bronca e são tratadas como o máximo respeito, diante das poucas oportunidades de apresentações na periferia da Capital.
Para a internet, ficou o papel de levar o som para além dos guetos. A possibilidade de se ouvir proporcionada pelas tecnologias animou Bernarda Trelha Ferreira, ou Becky Bee, de 17 anos, que já tem oito músicas gravadas, mesmo sem ter álbum ou EP lançado.
O gosto pela música veio da infância, como de muitas crianças. O que admira é a precocidade com que a rima chegou em sua vida, já a colocando como protagonista da situação. "Comecei quando ainda morava em Bonito. Mas foi aqui em Campo Grande, onde estou há dez anos, que conheci a galera que tocava e me animei", explica
Gênero que para cantar é quase regra ser o dono da letra, o rap traz uma responsabilidade ainda maior para quem quer ganhar espaço. A consciência de que a essência é mesmo a rima, foi fator indispensável para as meninas ganhassem respeito. "Sempre foi muito bem recebida", garante Bee. Questionando o sistema vigente e falando das diferentes formas de revolucionar o mundo com amor, elas demonstra dominio das composições.

O crew RastaNigga "meteu as cara" e ganham público na atitude. (Foto: divulgação)
A opinião de que a atitude se sobrepõe a qualquer desigualdade, inclusive de gênero sexual, também é compartilhada pelas meninas do RastaNigga. "Os caras têm mais evidência porque as minas não metem o loco", afirma Isabela Tezani Rodrigues, 18 anos.
A linguagem quase universal do RAP parece fazer com que diferenças deste tipo passem quase despercebidas. As influências estão mais em torno das mensagem passadas. "Me espelho em rap feminimo, mas também tem muito homem cantado que me inspira. Acredito que o rap não tem cor, sexo, idade, raça e nada", explica Vitória Coquemala, 17 anos, a outra metade do RastaNigga.
Apesar do clima de igualdade, é o gênero que dará possibilidade para as meninas mandarem suas rimas ao vivo no festival Expressão de Rua, que será realizado neste final de semana. Com o tema Violência Contra a Mulher, o evento terá um dia dedicado a apresentações das artistas. Becky Bee e Rasta Nigga se apresentam no próximo domingo, a partir das 15h, na Concha Acústica Helena Meirelles, no Parque das Nações Indígenas. Confira aqui a programação completa.







