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Camara Maio

São Sebastião é reconhecido como 'milagreiro' em bairro da Capital

21 JAN 2014
Renan Gonzaga
06h00min
Fiéis fazem orações na Paróquia de São Sebastião em Campo Grande. (Foto: Renan Gonzaga)

Na segunda-feira, 20 de janeiro, foi comemorado o Dia de São Sebastião em todo o Brasil. Conhecido como protetor da humanidade contra a fome, doenças contagiosas, pestes e pessoas feridas, o santo reuniu centenas de campo-grandenses durante a tradicional quermesse e missa de encerramento das festividades, na Paróquia São Sebastião, no bairro Monte Carlo.


Aos 77 anos, a legionária Olinda Pereira considera o santo um exemplo de cristão e - principalmente - de vida a ser seguido. “Era uma pessoa muito bem conceituada, que deixou aquele cargo e se expôs a ponto de ser flechado, e mesmo assim não desistiu”, relembra a aposentada sobre a história de vida do mártir.


Participando de atividades na Paróquia há 40 anos, Olinda destaca o crescimento da comunidade em torno da igreja. “Aqui é conhecido como Bairro do Cruzeiro por conta do cruzeiro de São Sebastião. Antes quem morava na região era um fazendeiro, e quando surgiu uma peste ele se comprometeu a doar esse terreno para fazer o santuário, caso o santo protegesse seu rebanho.”


E como o pedido foi realizado, ele cumpriu. Ou melhor, começou a cumprir porque morreu antes de terminar a capela. Mas como o fazendeiro havia já doado o terreno, as outras pessoas terminaram e conforme iam construindo, o bairro ia crescendo. “Isso aconteceu há quase 70 anos, tudo foi aumentando e hoje somos essa comunidade que você está vendo”, relata a moradora do bairro.


Alaide, Flávia e Olinda são exemplos de fé no mártir em todas as gerações. (Foto: Renan Gonzaga)


Ela comenta a importância de repassar os ensinamentos e a história de vida de São Sebastião ao fiéis e principalmente aos jovens que precisam realizar algum desejo. “Ele deu um exemplo de fé, porque poderia ser um oficial mas preferiu seguir as palavras de Deus. Então, a pessoa que tem fé e acredita nele, consegue muitos milagres.”


Por falar em milagre, a estudante Flávia Delmonde, de 20 anos, é um exemplo de quando a fé transforma a vida de quem acredita na importância do santo. Segundo ela, sua mãe não poderia ter filhos por problemas de saúde, e ao pedir para São Sebastião realizar o desejo de ter um filho, a jovem foi concebida sem nenhum problema.


Meu nascimento foi um milagre, sou a prova de que São Sebastião ajuda as pessoas”, afirma Flávia, que vê o mártir como seu protetor, muito antes de sair da barriga da mãe.


Centenas de pessoas fazem pedidos durante a missa de 20 de janeiro. (Foto: Renan Gonzaga)


Eu estou em pé por conta da minha fé em São Sebastião”, ressalta a doméstica Alaide de Sá. Aos 55 anos, ela relata ter uma doença muito severa no ossos e que, segundo os médicos, não teria condição de andar e muito menos trabalhar. “Pra mim ele é muito importante, porque minha cura é concebida através de São Sebastião”, conclui.

 

HISTÓRIA


Na história, São Sebastião teria nascido na cidade francesa de Narbonne, mas foi criado por sua mãe em Milão, na Itália. Pertencia a uma família cristã e foi batizado ainda pequeno. Depois de crescido, decidiu se engajar no exército romano e chegou a ser considerado um dos oficiais prediletos do imperador Diocleciano.


Procurando mostrar o Deus verdadeiro aos soldados e prisioneiros, Sebastião conseguiu converter secretamente muitos pagãos ao cristianismo. Depois de um tempo ele foi denunciado por estar contrariando o seu dever de oficial da lei. Então, Diocleciano deu uma chance para que ele escolhesse entre sua fé em Cristo e o seu posto no exército romano.


Sem se questionar, Sebastião escolheu seguir Cristo e seus ensinamentos. E a sentença foi ser amarrado a uma árvore e executado a flechadas. Após o ocorrido ele foi dado como morto e ali mesmo o deixaram abandonado, pela mesma guarda que antes era chefe.


Uma senhora foi até o local à noite, pretendendo coloca-lo em um túmulo digno, e acabou o encontrando vivo. O levou para sua casa e tratou de suas feridas até ser curado. Depois um tempo, ele foi até o imperador se apresentar com a intenção de mostrar o poder de Nosso Senhor Jesus Cristo e mais uma vez foi condenado.


Dessa vez a pena foi martírio no Circo, sendo executado com pauladas e boladas de chumbo e açoitado até a morte, no dia 20 de janeiro de 288. E para ter certeza que ele não seria venerado, foi jogado numa fossa, onde uma piedosa cristã, a Santa Luciana, o tirou para sepulta-lo junto de São Pedro e São Paulo.

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