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12/07/2014 06:00

Sem professor e desenhando a mão livre, entalhador mantém oficina na periferia de CG

Artesanato

A residência no bairro Vila Nasser aparentemente não possui nada de incomum, mas chama a atenção pela quantidade de madeiras no quintal. Uma pequena plaquetazinha, colocada pouco acima do portão, dá logo uma explicação. Entalhada com todo esmero, as letras dão nome ao trabalho que Dico Rodrigues, 54 anos, realiza há 17 anos. Apesar de completar quase duas décadas, o trabalho é desenvolvido em uma oficina nos fundos de casa e não possuiu mais do que a plaquetazinha com o nome 'Madeir'Art' como publicidade.


O motivo de tanta despreocupação com o empreendedorismo  é que até então os trabalhos não passavam de um hobby. O que não significa que ele não fosse feito com todo afinco.  "As tardes passam aqui que nem vejo ", conta sobre o prazer que os entalhes proporcionam. Seguindo recomendações médicas e com a aposentadoria prestes a sair, Dico, que até então trabalhava como entregador, passou a pensar em seu trabalho com mais preocupação. "Quero ampliar. Além disto, o médico já disse que é bom para cabeça", afirma.


(Foto: Deivid Correia)

(Foto: Deivid Correia)


O trabalho de Dico consiste principalmente em entalhar placas de madeira para comércios e propriedades rurais. É um trabalho artesanal com propósito de dar vida  a um determinado desenho, transformando-o em alto-relevo. É comum vermos este tipo de artesanato dando boas vindas em fazendas do estado afora. Mas ele garante que são poucos que o desenvolvem na cidade. "O que fazem já fazem há muitos anos", explica. Ele afirma ter começado por curiosidade e não teve nenhum professor. A primeira peça que desenvolveu foi o nome da filha mais velha entalhado em uma peça de madeira.


O diferencial do entalhador é que seus trabalhos são feitos a mão livre, ou seja, sem o uso de qualquer molde para o desenho das letras. Feito pouco provável em uma época de tanta tecnologia. Os três tipos de formão: goiva, prancha e tipo V são os suportes que conduzem as mãos de Dico.


(Foto: Deivid Correia)

(Foto: Deivid Correia)

 

Antes de a madeira ser ferida, ela é cuidadosamente selecionada e lixada. "Não é qualquer madeira que dá para entalhar", explica.  Garapeira, cerejeira e cedrinho são algumas utilizadas pelo entalhador. Depois deste processo, alguns riscos a caneta são feito na madeira para nortear o entalhe. O mais longo é­ o desenho com os formões, que podem demorar até dias. Feito os cortes, que as vezes podem exigir o que ele chama de pequena cirurgia, é necessária uma camada de selador, tinta, para os clientes que pedem cor, e, por fim,o verniz.


Toda esta dedicação com o trabalho parece ser o segredo para ter dado certo. "Só neste último ano fiz de 10 a 12 placas", acredita. Nestes 17 anos, o boca a boca foi sua maior publicidade e foi o que ajudou a complementar a renda de sua família.

A localização na periferia, acabou levando o entalhador a ser uma referência e o obrigou a desenvolver outros trabalhos para atender, inicialmente, ao conforto dos vizinhos.  Cadeiras, bancos, mesas de centro acabaram também a ser desenvolvido por Dico. O estilo rústico é o que marca seu trabalho. "Quanto mais feia a madeira, mas bonita ela fica depois", afirma.


Serviço: Os interessados no trabalho de Dico podem entrar em contato pelo telefone (67)3365-8082/(67)9905-1122.

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