Onça, papagaio, tuiuiú e arara. Se o risco era de que eles desaparecessem com a urbanização de Campo Grande, o artista plástico, Cleir Ávila, deu um jeito de incorporar a bicharada na cidade para lembrar à população de suas origens pantaneiras. Símbolos de desenvolvimento, os prédios se tornaram telas para suas façanhas artísticas e sua principal especialidade. Porém, vinte anos após sua primeira obra, a Onça Pintada, localizada no edifício Iná, na avenida Afonso Pena, corre o risco de desaparecer por falta de financiamento para restauração.
O apelo para manutenção foi feito durante a última semana pelo próprio artista, diante da reforma que será realizada no edifício. Conforme Cleir, a administração do prédio tem a intenção de manter a obra, porém seria necessário reparar as infiltrações na parede lateral em que a Onça está. "O serviço irá afetar diretamente o painel, que precisaria ser restaurado", explica.
Para que o símbolo continue a embelezar a cidade, o artista tem procurado apoio do poder público. A Planurb (Instituto Municipal do Planejamento Urbano), inclusive, fez uma exigência para que o condomínio mantenha a obra por pelo menos dez anos. Porém, a medida não impede que a pintura seja prejudicada. "Estou de alguma forma tentando sensibilizar o poder público. Eu não posso mais subir no prédio e fazer a restauração por amor. Tenho de ser remunerado para fazer isto", enfatiza.

(Foto: Geovanni Gomes)
A Onça Pintada de Cleir foi o primeiro trabalho do tipo executado pelo artista, em 1994. Outros painéis pela cidade contam com o patrocínio de empresas privadas para a manutenção, como é o caso da Arara Azul, localizado na parede do edifício Exceler Plaza Hotel, na avenida Afonso Pena.
Por 15 anos, o mesmo esquema foi utilizado para a manutenção dos Tuiuiús, no Ed. Marques de Valência, também na avenida Afonso Pena. Porém, com a venda do Banco Real para o Santander, o patrocínio foi encerrado. O local também foi alvo de polêmicas, pois anúncios da Coca-Cola são colocados regularmente por cima da obra.

(Foto: Geovanni Gomes)
O artista
Cleir Ávila Ferreira Júnior, natural de Campo Grande – MS, autoditada, pinta profissionalmente desde os 18 anos, iniciou com influência hiperrealista, onde ele retrata em suas obras temas regionais e ecológicos, principalmente a natureza pantaneira, presente em quase toda sua arte.
Em 1994, inicia seu trabalho mural nas laterais dos prédios de Campo Grande. A “:Onça Pintada”(50m de altura e 220m2) levou um mês de execução, “Tuiuiús”(40m de altura e 300m2), seu segundo mural.

(Foto: Geovanni Gomes)
Em 1995 pinta a “Arara Azul”(45m de altura e 430mm2). Em 1996 realiza a construção “Monumento das Araras” em Campo Grande,Mato Grosso do Sul. Em 1998 pinta em Corumbá um mural de 700m2, onde ele retrata a arara vermelha em uma de suas paredes e nas outras duas um dourado.







