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sábado, 16 de janeiro de 2021
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Rosália perdeu batalha após 3 anos lutando contra câncer, mas nunca deixou de ter fé e ser otimista

Veja desabafo feito por Rosália e encontrado pela família;

27 dezembro 2020 - 18h10Por Nathalia Pelzl

Rosália Valençoela Gomes Barros, 47 anos, morreu no dia 8 de novembro após três anos lutando contra câncer de mama, contudo, a família de Rosa só tem a agradecer o aprendizado durante o período e também o atendimento prestado no Hospital Alfredo Abrão. 

“Minha irmã Rosália, assim que descobriu o câncer de mama, iniciou o tratamento no ano de 2017 no Hospital Alfredo Abrão, no qual só temos que agradecer, a dedicação, o carinho, o tratamento humanizado que foi despendido nesse período tão difícil nas nossas vidas”, disse o professor Márcio Valençoela, 49 anos, assim que foi questionado pela equipe de reportagem. 

Segundo ele, Rosália adorava a vida, sempre com muita fé, além de ser uma pessoa otimista, que acreditava no melhor, mesmo quando as condições não estavam muito favoráveis. 

"No caso dela, os resultados não eram animadores, a doença sempre progredia, com metástase no fígado, no pulmão, nos ossos, acreditava que isso era uma adversidade passageira”. 

Sempre ativa, durante o tratamento, Rosália buscou interagir com pessoas e grupos que passavam pela mesma situação. 

“Durante a etapa do tratamento, se aproximou de um grupo de apoio as mulheres com câncer, "Mulheres de peito", no qual dava apoio, auxílio psicológico e fazia palestras nos hospitais, confraternizam entre si constantemente, fazendo sessão de fotos e vídeos, encontros "café do amor", oficinas de artesanato entre outros”, contou Márcio. 

Três meses antes de morrer, Rosália concluiu o curso de Capelania.  “Era um sonho dela prestar assistência e apoio em escolas, universidades, hospitais, presídios, levando palavras de conforto e fé às pessoas... nas conversas familiares e amigos sempre nos mencionava que independente do que acontecer ela estava preparada, acreditava que pela fé tudo estava sendo resolvido”. 

“Ela dizia “eu escolhi confiar, eu escolhi crer, eu escolhi viver, é Deus quem dá a última palavra”, e realmente Deus deu a última palavra levou minha irmã, uma pessoa muito especial, que uniu e mudou a família, levou conforto as pessoas necessitadas e deixou muitos amigos”. 

O hospital, segundo ele, deu toda assistência necessária no leito de morte.

“Nós familiares tivemos a oportunidade e o privilégio de nos despedirmos. É sempre muito difícil superar a morte de uma pessoa maravilhosa, mas suas lições de vida, sua fé inabalável, sua memória e suas histórias sempre estarão vivas em nós enquanto estivermos aqui para homenageá-la”, finaliza. 

Veja desabafo feito por Rosália e encontrado pela família: 

"Meu nome é Rosália Valençoela, tenho 47 anos, moro em Campo Grande-MS.

No ano de 2017 meu seio começou ficar avermelhado, ter febre, sentia uma dor aguda no mamilo.

Eu já havia feito duas mamografias e não tinha constatado nada.

Mudei de laboratório e médico, refiz exame e fui diagnosticada com carcinoma invasiva grau 3, com 6 cm, do tipo Her2+.

entei manter a serenidade após o baque do diagnóstico e comecei o tratamento, fiz quimioterapia e mastectomia total.

Após 4 meses de cirurgia, foi constatado metástase óssea na coluna, pulmão e fígado.

Penso que esse foi o momento mais difícil do tratamento...

Quando eu pensava que o pior tinha passado, tive que recomeçar tudo.

Busquei forças em Deus e segui confiante. O protocolo médico foi trocado várias vezes, precisei esperar da justiça por meses os remédios de alto custo.

No último exame de acompanhamento que fiz em março de 2020 constou que o tumor no fígado estava crescendo e hoje aguardo nova medicação para reiniciar a quimioterapia.

Percebo nas falas e olhares das pessoas um sentimento velado de finitude da vida... mas não me deixo abalar.

Minha força vem de um Deus vivo que pode todas as coisas e assim sigo em fé, feliz, grata, esperando o meu milagre.

Nessa caminhada vejo algumas pessoas falarem que venceram, superaram o câncer e que estão curadas, eu ainda não tenho o diagnóstico da cura, mas eu venci o câncer, eu superei essa doença, pois o venço todas as vezes que não o deixo me dominar, me entristecer ou me paralisar.

Graças ao meu bom Deus, vivo plenamente como se estivesse no meio de um filme, sabendo o desfecho final. que é a cura, ou receber o abraço do Pai.
Enfim, ainda estou no meio do caminho.

E para quem está nessa fase, sabe do que estou falando, o meio do caminho é estranho, é exatamente entre o diagnóstico e a cura... muitas coisas já vivenciamos nesse processo... tem dias que somos fortaleza, e em outros o medo quer nos convencer da possibilidade de dar algo errado, mas prefiro ficar com a primeira opção.
Não me permito intimidar e retroceder com o que vejo, com os resultados dos exames, simplesmente vou continuar confiando.

E assim vamos vivendo o melhor todos os dias, crendo que Deus está no controle, que as promessas Dele vão acontecer e que dias melhores com certeza virão.
Afinal... Por suas chagas fomos curados... 1 Pe  2,24"