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Solidão é o problema dos independentes, mas nada paga a liberdade de morar sozinho

Crescimento pessoal

11 JAN 2014
Renan Gonzaga
06h00min
Macarrão instantâneo é o alimento mais consumido entre os solitários. Foto: Reprodução

Para alguns os motivos são as brigas com a família, para outros é a busca pela independência falando mais alto. Tem também aqueles que mudam de cidade para tentar outras oportunidades de vida. Na teoria, morar sozinho parece fácil, mas só quem passa pela situação sabe a dor e a delícia de ser independente.


Pia cheia de louças, banheiro sujo, macarrão instantâneo todos os dias, pouco espaço para os móveis, isso quando se tem móveis, vizinhos fofoqueiros e o principal: Muita economia. Esta é a rotina dos solitários, ou melhor, daqueles que entendem na prática como é ser livre.


“É muito difícil morar sozinho”, conclui o educador físico Guilherme Dantas, de 21 anos. O jovem explica que o sentimento é uma mistura de emoções que, no final, ajudam no amadurecimento pessoal. ”É chato, solitário, diferente, bom, ruim e faz a gente crescer”, relata.


Segundo pesquisa feita pelo IBGE em 2010, pela primeira vez na história do Brasil, o número de pessoas morando sozinhas ultrapassou o das famílias com cinco integrantes. Hoje, as residências com apenas um morador já são 12,2%, enquanto os domicílios com cinco pessoas somam 10,7%. No total, são 6,9 milhões de brasileiros solitários no país.


Negligenciar a limpeza é comum quando se mora sozinho. Foto: Reprodução


Talvez, as responsabilidades pesem bastante quando se percebe que a fantasia de ter um lugar para chamar de lar pode ter um lado sério. Diferente de quando se arrumava o quarto quando criança, que já era ruim o suficiente para causar brigas, agora imagine uma pia cheia de louças e você sem tempo e animo para lavar.


Outro problema sério é a alimentação. Enquanto os mais prendados só comem macarrão, tem aqueles que vão além da expectativa e se alimentam exclusivamente da versão instantânea.


“No começo era miojo no almoço e na janta, com tomate, feijão, sardinha ou outra mistura que achasse fácil. Mas depois quase desenvolvi uma anemia, daí parei”, revela a estudante Carla Sá. Agora, para não complicar ainda mais sua saúde, ela deixa tudo fácil para chegar da faculdade e fazer de forma rápida.


A página no Facebook intitulada 'A odisseia de morar sozinho', conta com mais de 16 mil curtidas e brinca exatamente com essa realidade, através de frases como 'Aquele abençoado último garfo limpo que te permite adiar a lavagem da louça por mais um dia” e “Toda vez que acaba a energia aqui no bairro eu fico tentando me lembrar se esqueci de pagar alguma conta ou se atrasei muito algum pagamento”.


Foto: Reprodução Facebook


Como se fosse uma fuga de algum processo depressivo, para não enlouquecer é comum o jovem afogar seus problemas em uma cerveja ou garrafa de vodca. Abusar do álcool quando se vive sozinho é 'normal', e mais normal ainda é a casa viver cheia de visitas para beberem juntos.


“Marco uma ou duas festinhas por ano porque meus amigos não sabem falar baixo, parece que falam debaixo da cachoeira. E quando vem muita gente eu alugo o salão do condomínio”, diz Carla.


Vale lembrar que os vizinhos serão os primeiros a falar que sua casa parece um bordel, e que você não tem critérios e respeito, porque sua casa vive cheia de gente 'estranha'. E para não tornar tudo um inferno, é bom cuidar da sua imagem, para que ela seja a melhor possível.


“Sempre tem aquele vizinho chato que fica te olhando feio”, conta Guilherme. “Com os vizinhos converso só o necessário e se necessário. Mas tenho uma boa convivência com eles”, completa a estudante.


Carla assegura que apesar da solidão e distância da família, também consegue ver os pontos positivos da vida 'livre'. “Morar sozinho, como quase tudo na vida, tem os dois lados. Tem hora que dá uma saudade da família e tem hora que você acha bom essa privacidade”, finaliza.

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