Passageiro como seu autor. Os desenhos feitos pelo colombiano Omar Leandro Villamil, 26 anos, são um show a parte para aqueles que têm o privilégio de vê-los sendo feito ao vivo e também para os que têm a sorte de ainda os encontrar estampados nas calçadas. Tendo o giz escolar como matéria-prima, os traços são facilmente apagados pelas ações do cotidiano, mas ficam marcados na memória de quem vê material tão simples transformado em arte.
Cerca de três horas para ganhar formas e um dia inteiro para se apagar, a rapidez dos desenhos parece durar tempo suficiente para que Omar escolha seu próximo destino no mapa da América Latina. Destemido, o artista afirma ter desistido do curso de Produção de Meios Audioviduais, na Colômbia, para se aventurar no mundo. “Para viajar não é preciso graduação”, afirma.

(Foto: Deivid Correia)
Em Campo Grande, o artista estava há apenas três dias quando estampou na calçada da Praça Ari Coelho, quase esquina da rua 14 de Julho com a avenida Afonso Pena, o fundo de um rio com tartaruga e peixes em primeiro plano. Ao que parece, a natureza foi inspirada pela Capital sul-mato-grossense, pois a poucos metros dali uma arara, já desbotada, podia ser vista em tons rosados imitando seu vermelho natural. O desenho foi feito por Omar no primeiro dia que chegou a cidade.

(Foto: Deivid Correia)
Tendo como parada anterior a capital Curitiba (PR), a intenção era ficar no Brasil pelos próximos três meses, o que não será possível por conta da documentação para turista. “Estou aqui há 15 dias e esta é a primeira vez que venho para o Brasil”, explica. Viajando pelo mundo há dois anos, foi há cinco meses, no Peru, que ele aprendeu a técnica de desenho, conhecida por lá como desenho polimentar. Conforme ele, o aperfeiçoamento é diário e só é restrito quando se tem apenas quatro cores.
Mesmo a limitação de tons, não torna menos atraente o trabalho. A maioria das pessoas que passa pelo local admira por alguns segundos e toma todo cuidado para não pisar, gentiliza que não é a marca dos apressados. O comerciante Thales Bruno, 19 anos, foi um dos que dedicou os minutos de intervalo no trabalho para admirar os desenhos de Omar. “É uma coisa inusitada no nosso dia a dia e deixa a cidade muito mais bonita”, afirma.

(Foto: Deivid Correia)
Omar é um entre os inúmeros estrangeiros que passam por Campo Grande vivendo apenas de sua arte. Além dos desenhos, o colombiano costuma disponibilizar o chapéu ao público a que apresenta alguns de seus dotes musicais. A gentiliza de uma moeda vem acompanhada de agradecimento em bom português escrito a giz.







