A dedicação integral do treinador de Jiu Jitsu, Rafael Pinheiro, 30 anos, é comprovada quando ele trás no banco de traz de seu próprio carro quatro alunos novos para assistir aos treinos realizados no Centro de Recuperação Esperança, no bairro Tiradentes, região leste de Campo Grande. Ele conta que viu os meninos pelo bairro e perguntou: “Querem treinar?”. O convite foi este, mas poderia ser de qualquer outro teor e de qualquer outra pessoa.
A sorte dos meninos é que o treinador mudou o rumo de sua vida há dois meses para interferir no destino das cerca de 50 crianças que atualmente fazem parte do projeto ‘Pequenos Vencedores’, que tem como principal objetivo evitar que a criminalidade atinja suas vidas. “Este bairro é conhecido pelas altas taxas de criminalidade e por intenso tráfico de drogas”, afirma.

As lições de respeito começam com a retirada dos sapatos ao pisar no tatame. (Foto: Deivid Correia)
Formado em Direito, o treinador entregou sua parte na sociedade de um escritório de advocacia para se dedicar exclusivamente ao projeto. Praticante do esporte desde 1997 foi ao aliar o Jiu Jitsu aos sorrisos das crianças que ele se sentiu realizado. “Me apaixonei e agora vivo apenas do esporte”, afirma.
O salão do que parece já ter sido uma igreja é o local que abriga os treinos que ocorrem três vezes por semana e atendem crianças de cinco a 16 anos de idade. Até então improvisado, o local passa por reformas e adaptações para ampliar a prática do esporte. O projeto é tocado por meio de doações. Apesar de o espaço ser intensamente utilizado agora, o trabalho do Centro com a comunidade ocorre desde 1981.
O pequeno José Luiz, 7 anos, é um dos alunos mais novos do projeto. De acordo com a mãe, a dona de casa, Iara da Silva Prado, 27 anos, o menino começou os treinos há um mês e ficou sabendo por meio dos primos, que também participam das aulas. “Sinto que ele tem se esforçado mais depois que começou a praticar o esporte. Ele diz que quer ser um futuro campeão”, relata a mãe que faz questão de acompanhar os treinos.

Apersar da pequena estatura a atenção é redobrada. (Foto: Deivid Correia)
E é justamente com ‘Zé’, como é carinhosamente tratado pelo mestre, que Rafael teve um dos momentos mais gratificantes desta jornada. “Como dependemos de doações, demora para que todo mundo tenha seu quimono. Ele chorava por não ter o dele, então acabei o presenteando”, relata o professor. A emoção foi ainda maior quando o treinador recebeu em seu celular uma imagem do garoto com as vestimentas e os dizeres emocionados de agradecimento ao professor.
Apesar da relação de carinho, é preciso esforço para se manter no projeto. De acordo com o treinador, notas acima da média e assiduidade nos treinos são indispensáveis para continuar na turma e podem significar a devolução do quimono caso não forem atendidos. “A gente veio aqui para formar cidadãos. Minha intenção é reavivar o centro e trazer a comunidade aqui para dentro”, afirma. A implantação de outros esportes, inclusive para o público adulto, também está entre os planos futuros.

Meninos e meninas participam do projeto. (Foto: Deivid Correia)
Para quem deseja ajudar o projeto “Pequenos Vencedores” com doações, o contato pode ser feito diretamente com o treinador Rafael Pinheiro pelo telefone (67) 8132-0384.







