A adolescente Solange Cristina Oliveira dos Santos, de 13 anos, pode perder parte dos movimentos do braço após esperar quase um mês por uma cirurgia considerada urgente. A operação, realizada somente nesta terça-feira (9), na Santa Casa de Campo Grande, ocorreu bem depois do prazo indicado pelo médico responsável e, segundo a família, essa demora resultará em sequelas irreversíveis.
A família relata que apenas após muita insistência e cobrança junto ao hospital o procedimento foi finalmente realizado, quase um mês após a lesão.
O atraso, segundo o médico que atendeu Solange, comprometeu a recuperação completa. “Ela não terá mais o movimento normal do braço”, contou Célia, emocionada. A fratura, atingindo a articulação, acabou consolidando de forma inadequada durante a espera prolongada.
Além do prejuízo físico, a demora agravou o quadro emocional da adolescente, que já enfrenta depressão e faz uso de medicação controlada. “Ela ficou muito abalada, ansiosa, chorava com medo de não ser chamada para cirurgia”, relata a tia.
A família também afirma que enfermeiras comentaram sobre atraso de salários médicos, o que estaria levando profissionais a priorizar apenas casos de risco iminente de morte, o que teria contribuído para o atraso no atendimento da jovem.
Veja o que diz o hospital:
A Santa Casa de Campo Grande informa que a grave situação financeira enfrentada pelo hospital decorre do desequilíbrio econômico-financeiro do contrato de convênio com o gestor pleno da saúde, atualmente o município de Campo Grande.
Devido a esse cenário, o hospital tem absorvido diariamente pacientes oriundos de outros municípios do Mato Grosso do Sul em situação de vaga zero, o que resulta em superlotação constante. Nesta quinta-feira, 11 de dezembro, por exemplo, a área verde do pronto-socorro registrou 61 pacientes atendidos, embora o convênio preveja apenas 07 leitos contratados para essa finalidade.
A falta de cadeiras e cobertores é consequência direta dessa superlotação. Enquanto não houver o reequilíbrio do contrato, situações como atrasos em atendimentos, cirurgias, superlotação e desassistência ocorrerão de forma recorrente.
O hospital encontra-se em contingência de atendimento, especialmente na área cirúrgica, em razão da paralisação dos anestesiologistas. Diante disso, estão sendo adotadas medidas emergenciais, priorizando atendimentos exclusivos de urgência e emergência.







