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Campo Grande

Alunos de medicina da UEMS protestam contra má estrutura do curso

06 junho 2016 - 15h49Por Amanda Amaral

Com faixas, cartazes e entoando palavras de protesto que denunciam a má gestão do curso de medicina da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul), estudantes se reuniram na Praça Ary Coelho e seguiram em passeata pela Avenida Afonso Pena, em Campo Grande, nesta segunda-feira (06). O manifesto se dá um semestre após o início do curso na nova unidade da Capital, que é oferecido em campus recém-inaugurado, mas que não oferece materiais técnicos e profissionais adequados para o ensino.

As principais reivindicações dos quase cem alunos do curso são a contratação efetiva de professores especializados, livros adequados para consulta, computadores e uma extensa lista de materiais específicos. Entre eles, bonecos que auxiliam na prática teste da medicina antes que se realizem procedimentos em uma pessoa.

Os alunos reclamam que o prazo dado pela reitoria da universidade para solucionar os problemas já foi expirado e que a mesma não apresenta justificativas plausíveis para tanta demora, já que havia se comprometido em adquirir pessoal e material até junho deste ano. Cansados da espera e enfrentando dificuldades na rotina universitária, os estudantes resolveram paralisar as atividades do curso até ao menos a quarta-feira (8), quando está marcada uma reunião com o reitor da UEMS, Fábio Edir dos Santos Costa.

“Não conseguimos acessar periódicos, o laboratório de informática não funciona, não podemos desenvolver pesquisa sem professores efetivos e, muitos que estão dando aulas agora sequer são médicos, são enfermeiros ou farmacêuticos”, relata o estudante Leonardo Correira Santana, 27 anos, que é formado em farmácia e veio de Salvador, na Bahia, para cursar medicina em Mato Grosso do Sul.

Ele relata que os meios utilizados para substituir bonecos são feitos de maneira improvisada e não garante nenhum sucesso no aprendizado.  “Por exemplo, o material que deveríamos treinar o exame Papa Nicolau, nós fingimos que a mão é um colo uterino, para ter uma ideia de como é. Mas não temos como aprender de verdade sem nada palpável, ainda mais com especializações como a pediatria, onde é fundamental o boneco”, conta. O único boneco disponível para o 1º e 2º ano do curso na Capital foi emprestado da unidade de Dourados e já é considerado impróprio, devido ao desgaste.

Leonardo lembra que o problema é urgente e deve ser realizado até o final deste ano, já que com a chegada da próxima turma em 2017, que trará mais 48 estudantes, se a estrutura continuar da mesma forma será “completamente inviável produzir qualquer coisa”. “A gente que é de fora vê que o prédio é novo, bonito, tem até lago, é muito ‘bonitinho’. Aí quando chega e um baque, cadê o livro?”

Vinda do interior de São Paulo, Ribeirão Preto, Liviane Michelassi, 21 anos, também esperava encontrar outra realidade no curso que escolheu aprender sua profissão. “A gente sabe que a unidade e o curso são novos, mas do jeito que está não conseguimos nem o mínimo. Esperamos que esse encontro com o reitor resulte em alguma coisa”, diz a estudante.

O grupo solicitou também um encontro com o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) para apresentar as reivindicações, mas ainda não recebeu resposta do ofício encaminhado à Governadoria.