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Campo Grande

05/11/2017 07:00

Amarrado e sedado, homem é o retrato do desespero na espera de um leito psiquiátrico

Ele ouviu em uma igreja que estava 'curado', parou com medicação e surtou

Um homem de pouco mais de 50 anos imobilizado em uma maca, usando apenas fralda geriátrica explica o desespero de uma família diante do sombrio cenário do tratamento psiquiátrico na Capital.

Após ouvir em uma igreja que “estava curado”, Wilson Rosa da Silva parou de tomar os medicamentos necessários para o controle dos problemas psíquicos que tem. Esse foi o estopim para surtar e foi aí que a seus familiares conheceram de perto a dificuldade de conseguir uma vaga para leito em psiquiatria. Em uma Capital com quase 900 mil moradores, há apenas 52 leitos especializados para atender pacientes em estado de maior gravidade.

O jovem envia uma foto do pai que mostra que o sofrimento de ver os papéis se inverterem é real. O homem está imobilizado com ataduras, sem roupas e usando apenas uma fralda geriátrica.  

 “Ele tem problemas psicológicos há uns vintes anos e parou de tomar os remédios depois que ouviu em uma igreja que estava curado. A família inteira está adoecendo, minha mãe já está doente, por isso resolvi procurar a reportagem”, conta o filho Wilton, que não se importa inclusive de se identificar.

Wilton em fala simples e educada, demonstra toda sua revolta com o sistema de saúde. “Meu pai foi internado várias vezes e ficou esperando uma vaga”. Questionado sobre um possível anonimato, devido a toda situação, ele é claro.

“Olha, não adianta. Uma reportagem dessas ajudaria muito as pessoas verem o que acontece, porque é muito difícil ter um doente em casa e não aceitam que ele tem problema. Ele mesmo queimou toda a papelada dele, os documentos. E a reportagem é de extrema urgência e necessidade. Não é só ele, tem muita gente esperando vaga, está demais a situação na área de psiquiatria”, afirma.

Nova chance

O homem estava na UPA das Moreninhas a espera de uma vaga. Após o contato da reportagem ele foi transferido para o hospital Nosso Lar. Um dos poucos locais de Campo Grande que oferecia leito psiquiátrico, a Santa Casa de Campo Grande, fechou a ala recentemente.

O filho fez um poema para externar o que viu e viveu nesses tempos de dor:

“Verdadeiro descaso com a população,

Idosos e crianças na mesma condição

Procura o hospital em busca da solução

Pois é direito da população

Bate uma revolta com tanto desrespeito

E os governantes do estado não fazem nada respeito

Tem gente morrendo jogados em leito

E pelo despreparo tratados de qualquer jeito

Faltam profissionais, falta medicação e prejudicado da história é a população

Que acreditou nas promessas na época da eleição

Até onde vai essa situação?

Até onde vai essa situação?

Com o mínimo de assistência tem que contar com a sorte vem em busca de saúde e se depara com a morte

Porque o estado não oferece suporte se o caso e grave no hospital você morre

E o dinheiro dos impostos onde foi parar? Não investe na saúde pra poder melhorar e super lotação cada vez mais se agravando o povo está sofrendo e governo não está enxergando!”

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