O celular apita indicando um novo e-mail, o chefe cobra aquela entrega pendente, a família clama por atenção, as contas acumulam, o trânsito caótico. Em meio à correria do dia a dia, todos querem tudo para ontem. Isso exige respostas imediatas, refeições apressadas, carinhos reduzidos. A vida parece não caber mais nas instantâneas 24 horas do dia. Mas apesar de tudo, muitos idosos se reúnem todos os dias na praça Ary Coelho, no Centro de Campo Grande. Que mesmo com toda loucura do trânsito e de pessoas apressadas, eles se encontram para se divertirem.

Com jogos de dama, baralho, dominó e muita conversa animada, a reunião diária entre eles começa normalmente à partir das 7h da manhã e não tem horário para acabar. Aposentados ou não, eles vêm de todas as regiões da Capital, para se agruparem na praça.

A grande maioria deles não nasceram em Campo Grande, mas falam da cidade morena com muito carinho. " Nasci no Ceará, mas moro aqui há mais de 40 anos, tive oito filhos e vivi os melhores momentos da minha vida nesta cidade. O município mudou muito, algumas coisas mudaram para melhor, outras para pior, vi a cidade crescer aos poucos. Hoje em dia, tudo está mais moderno, o problema é a violência que aumentou. Gosto de me reunir aqui na praça, sou aposentado e ficar em casa só nos deixa mais velhos ainda, pelo menos me distraio jogando e conversando", conta o bem-humorado, José Leandro de 76 anos.

Carlos Oliveira Garcia de 74 anos, relata que vai à praça todos os dias, mesmo morando em um bairro distante do centro da Cidade. "Pego o ônibus e venho, se ficarmos sozinhos nas nossas casas, aí sim as doenças começam a aparecer", brinca o idoso.
Gilberto Petarin de 75 anos, veio de São Paulo para Campo Grande há 38 anos, e lembra como a cidade mudou. "Quando cheguei quase não tinha prédios, a grande maioria dos bairros não tinham asfaltos. Tudo evoluiu muito, amo este lugar, porque ao mesmo tempo que a Capital é grande, também tem um pouquinho daquela coisa de interior", disse.

De acordo com os idosos animados, alguns deles só vão embora quando o dia escurece. "Aqui a gente se distrai, contamos coisas que acontecem nas nossas vidas, lembramos dos velhos tempos, jogamos e rimos. A velhice está dentro das nossas cabeças, quando nos isolamos do mundo, nada vai para a frente, eu tenho 81 anos, sei que sou velho, mas não fico triste por isso. A vida é bonita, depende de como a enxergamos. Me reunir com os amigos, contar casos me deixa feliz", relata o aposentado Gerson Pereira.







