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Campo Grande

29/06/2015 08:11

Catadores do lixão denunciam 'maquiagem' em UTR e prejuízo financeiro

A reinauguração da UTR (Usina de Triagem de Resíduos), marcada para acontecer no começo do mês de julho, pode abrir uma nova 'queda de braço' entre catadores e a Prefeitura de Campo Grande. Segundo os trabalhadores, que hoje atuam no lixão da cidade, as condições oferecidas para a mudança não são as melhores, e reduzem os ganhos de quem depende do lixo para viver.

Os catadores garantem que não estão satisfeitos com a desativação do lixão e denunciam que o novo local de trabalho está 'maquiado'. Além disso, a outra reclamação é que as três cooperativas que estão ativadas para funcionar na UTR são coordenadas pela empresa Solurb (Soluções Ambientais), que presta serviço para a Prefeitura Municipal de Campo Grande. O consórcio prometeu pagar um valor pelo serviço dos catadores, que ainda não está definido e pode chegar até um salário mínimo para cada trabalhador, inferior do que eles ganham no lixão, que fica no bairro Dom Antônio Barbosa.

A  Funsat (Fundação Social do Trabalho) está desde novembro de 2014 capacitando catadores de materiais recicláveis com curso para o fortalecimento do Cooperativismo e da Autogestão. O representante dos catadores recicláveis da area de transição, Marcos de Lima, 36 anos, explicou que a promessa é de começar a UTR funcionar com três turnos de seis horas por dia.

"O valor estipulado ainda é duvidoso. Se a gente trabalhar oito horas por dia, devemos ganhar cerca de R$ 150 a 200 por semana. A gente gosta de trabalhar no lixão e quer lutar pelos nossos direitos. Já nos reunimos com vários respresentantes e não tivemos nada de resposta concreta. A maioria dos catadores querem trabalhar na UTR mas com salário parecido com que sempre ganhamos", afirmou Marcos. 

Foto: Geovanni Gomes

                                                (UTR segue fechada / Foto: Geovanni Gomes)

O catador de resíduos do aterro sanitário, Josias Ezequiel Soares, cita que são 429 trabalhadores que atuam no lixão e somente 130 pessoas fizeram o curso. “As aulas estão acontecendo. Acredito que até o começo do mês os 300 restantes não vão estar capacitados para atuar na UTR”, comentou.  

A construção do novo aterro sanitário foi iniciada em 2007 e ficou paralisada entre os anos de  2008 e 2012, depois foi aberta nova licitação para gestão do lixo, que previa a conclusão dos trabalhos.  

Gabriel Chevuir, 33 anos, trabalha 16 deles no lixão e não está contente com o salário estipulado para atuar na UTR. Ele já decidiu que vai trabalhar em outro ramo.

“Eu ganho R$ 3.500 por mês e trabalho de três a quatro dias por semana. Na usina vou ganhar R$ 788 mensal. É pouco. Os catadores não estão gostando dessa história. Não vai ser lucrativo pra gente. Eu vou trabalhar em obras. Gosto de trabalhar no lixão. É pertinho de casa. Toda minha família e amigos trabalham lá. A maioria vai trabalhar em outro ramo. Quem vai trabalhar lá na UTR são mulheres idosas e mães que têm filhos em creche e escolinhas que estudam aqui na redondeza. Os homens vão tudo trabalhar em outro local e outro ramo”.

Mais casos

Josias, revela que tem renda mensal no valor de  R$ 2.800 e comenta que o  local está maquiado e não está 100% completa. “O local deve suportar  até 400 pessoas e existem três cooperativas que já estão integradas. É só fazer as contas. Mas é tudo uma questão de jogada. Eles capacitaram 130 pessoas no curso e mais os funcionários da cooperativa.  E os outros 200 catadores que não receberam o curso não sabem onde vão trabalhar. Eu vou procurar outro emprego. Muitos querem lutar para ganhar bem dentro da UTR. E percebi que a promessa é outra", lamentou.

Com a implantação da UTR a prefeitura anunciou que haverá mudança na coleta seletiva  que foi lançada desde 2011. Para garantir que tenha  material reciclável suficiente para todos os trabalhadores cooperados, a coleta seletiva será ampliada com o funcionamento da UTR e 100 mil domicílios serão atingidos (182.677 pessoas).  A coleta seletiva existe desde 2011, na primeira etapa atenderam  32 mil domicílios entre 120 bairros da Capital.  O lixo será recolhido pelos catadores através da coleta seletiva e será destinado à UTR.

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