O protesto organizado pelo Facebook que convocava a população de Campo Grande a levar lixo para a casa do principal investigado da Operação Lama Asfáltica, João Amorim, foi impedido por policiais militares. As equipes da PM já aguardavam há pelo menos uma hora, segundo testemunhas, em uma das ruas próximas a residência do empreiteiro.
O primeiro a chegar ao local foi o professor Ascânio Bottini, 56 anos, que tentou colocar o lixo em frente a casa do empresário e foi rapidamente abordado pelos militares, que se aproximaram da casa de Amorim e ordenaram que ele retirasse o lixo imediatamente. O professor foi o único a comparecer no local.
"Os policiais me disseram que eu não poderia fazer isso. Me informaram que se eu fizesse isso seria crime ambiental e, por isso, peguei o lixo que trouxe da minha casa e coloquei de volta no carro", comentou o professor.
A reportagem abordou os policiais que estavam na viatura para saber como foi o procedimento que os levou a estarem no local. Um dos militares revelou que não podia passar informações e que qualquer questionamento deveria ser feito via Comando-Geral da Polícia Militar.

Professor deixando o local após ser abordado pela polícia.
Passados 10 minutos que o professor havia deixado o local, mais duas viaturas deram suporte aos policiais que já estavam no local. Uma apenas passou pela rua e a outra permaneceu no local. Foram sete policiais ao total 'blindando' a casa de João Amorim.
João Amorim é apontado pela Polícia Federal como o principal mentor da quadrilha especializada em fraudar licitações de obras públicas. O prejuízo aos cofres públicos chegou a R$ 11 milhões, de um total de R$ 45 milhões apurados na Operação Lama Asfáltica. A quadrilha possuiu ramificações por meio de servidores públicos, políticos, empresários de Campo Grande.








