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terça, 18 de janeiro de 2022 Campo Grande/MS
Campo Grande

Com lista de metas, Cris Stefanny é 1ª travesti com cargo no executivo

03 novembro 2015 - 20h35Por Amanda Amaral

Cris Stefanny assumiu oficialmente o cargo de coordenadora de Políticas Públicas LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros) de Campo Grande nesta terça-feira (3), se tornando a primeira travesti na história de Mato Grosso do Sul a comandar um cargo no poder executivo.

A nomeação foi oficializada em evento realizado na Esplanada Ferroviária, onde também foram definidos os nomes à frente da Coordenadoria de Assuntos Indígenas -  Adierson Venâncio da Mota - e também da supervisão de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) da Capital - coordenada por Marco Aurélio de Almeida.

Foto: André de Abreu 

Filiada ao PPS, Cris luta há mais de 20 anos contra o preconceito com as minorias no Estado. Atualmente, é presidente da Antra (Articulação Nacional dos Transgêneros) e da ATMS (Associação das Travestis e Transexuais de Mato Grosso do Sul), que inclusive ajudou a criar.

Nascida em 1979 na cidade de Maranguape, na Paraíba, viveu sua infância na cidade de Jacaraú, onde trabalhava com os pais na agricultura e no corte de cana de açúcar. Chegou a Campo Grande aos 13 anos, em 1993.

"Neste ano, já comecei a militar nos direitos humanos. Com os meus 19 pra vinte anos de idade eu comecei a me questionar em relação a algumas questões relacionadas à violência e preconceito praticados principalmente contra travestis e transexuais, que sofriam nas mãos até de quem deveria proteger, como a polícia", conta.

Foto: André de Abreu

À frente do cargo, ela explica que  foco é trabalhar com as políticas públicas que não dependam tanto de verba, como a criação de ambulatório do plano de processo transexualizador, capacitação de servidores no atendimento a essas pessoas e maior facilidade na conquista do nome social.

"Existe recurso federal pra isso, basta o município se adequar a partir de agora. Vou desenvolver um plano estratégico que não necessariamente incide em gastos para o município, que sei que está em plena crise", explica.

O maior desafio em Campo Grande, segundo ela, é conseguir mostrar que não é preciso 'criar' direitos exclusivos para as minorias, além de reverter a "política preconceituosa criada na mente das pessoas, que o LGBT é impróprio para a sociedade, quando também são contribuintes, votam, são cidadãos, pagam impostos, compram e gastam como qualquer um, tem os mesmos direitos e deveres".  

"Lembro que era como se essa população não existisse pra sociedade, muitas vezes a gente pegava o jornal tinha uma travesti morta na capa. Espero continuar a ser parte fundamental nessa luta, agora ainda mais", finalizou. 

O prefeito Alcides Bernal declarou que a intenção é tentar atender todas as demandas das minorias no município, antes "esquecidas". "Conhecemos o engajamento da Cris e confiamos no seu trabalho", declarou.

População indígena e pacientes de DSTs também estão representados

À frente da Coordenadoria de Assuntos Indígenas,  Adierson Venâncio da Mota se emocionou durante discurso. "Precisamos nos unir e lutar pelo nosso povo, que é tão sofrido e explorado, espero que tenhamos essa oportunidade cada vez maior em Campo Grande. Para isso, pesso o apoio de todos e principalmente da prefeitura", disse.

Foto: André de Abreu

Na supervisão de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) da Capital, foi definido o nome de Marco Aurélio de Almeida, que há anos está envolvido com a causa na Capital. A pasta tem o intuito de melhorar a qualidade e projetos de atendimento a esses pacientes na rede municipal de saúde.

Foto: André de Abreu