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Campo Grande

Com maníaco solto, passageiros relatam clima de medo em terminais

05 março 2016 - 07h00Por Anna Gomes

Mulheres que dependem do transporte coletivo estão com medo de sofrerem abusos nos terminais de ônibus de Campo Grande, em especial após os ataques do já conhecido 'maníaco do Terminal Morenão'. Elas pedem segurança e aumento de Guardas Municipais.

                            

O caso de abusos nos terminais de transbordo ganhou grande repercussão na última semana após duas jovens sofrerem ataques do mesmo homem em menos de dez dias. O suspeito chegou a ser preso, mas foi solto no mesmo dia.

O suspeito de abusar das duas garotas seria Lindomar dos Reis Gomes, de 32 anos, que já está conhecido como o 'maníaco do Terminal Morenão', ele supostamente possui problemas psiquiátricos e foi preso na tarde da última segunda-feira (29), mas foi liberado no mesmo dia por ser considerado de 'menor potencial ofensivo'. 

                                

                                                (Lindomar é suspeito de ter feito os abusos)

Gomes foi detido após puxar a blusa de uma adolescente de 15 anos e ainda mostrar os órgãos genitais. Lindomar também foi reconhecido por uma outra vítima, a estudante de administração Ingrid Matzembacher, 21, que chegou a gravar um vídeo relatando o crime e publicar na sua rede social.

A usuária do ônibus coletivo, Bete Bezerra, 42, diz sempre passa pelo terminal Morenão e relata que também já foi vítima dos xingamentos de Lindomar. "Pelo menos uma vez por semana preciso levar meu neto ao médico e passo pelo local. Uma vez ele me pediu dinheiro e eu não tinha, disse com toda educação e mesmo assim ele passou a me ofender, as pessoas ao redor fingem nem ver, é cada um por sí, quando o assunto é transporte coletivo", disse.

                                               (Foto: Geovanni Gomes)

Martineni Rodrigues, 38 anos, pede uma atenção maior da Guarda Municipal e relata que algumas vezes eles fingem não ver determinadas situações. "Eles precisam ficar andando, analisando e não negar ajuda. Como que um homem xinga alguém aos gritos e os guardas não conseguem ver? Acho que às vezes é omissão de socorro. Precisamos de uma segurança melhor'', relatou.

 

(Mulher pede mais atenção dos guardas. Foto: Geovanni Gomes)

Para a estudante Jociane Garcia, 24, mora na região do terminal Morenão há cerca de 14 anos, ela diz saber bem quem são as 'figuras' que causam transtornos pelo local. Também usuária de transporte coletivo, ela diz que já viu Lindomar xingando mulheres e que próximo a casa onde ela mora, mais precisamente em frente ao cemitério Santo Antônio, também tem outro paciente psiquiátrico que xinga quem não aceita dar dinheiro.

"O do semáforo te pede dinheiro, quando negamos, ele xinga e se acharmos ruim, é bem provável dele querer partir para a agressão física. No terminal Morenão são vários, antigamente tinha um que andava até com uma barra de ferro, agora tem este xingando. Eles precisam de tratamento e nós não somos obrigados a ficar sendo insultados. Pagamos caro pela passagem, pagamos um imposto caro, eles precisam que o poder público ofereça um tratamento e nós precisamos de segurança", finalizou a jovem.