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Campo Grande

Cortando despesas, prefeitura retira até banheiros de população carente

11 junho 2016 - 13h16Por Anna Gomes

Alegando diminuir despesas do município, a prefeitura de Campo Grande resolveu retirar três dos cinco banheiros químicos dos antigos moradores da favela Cidade de Deus. Eles agora vivem no Bairro Vespasiano Martins, região sul de Campo Grande. O município também não cumpriu a promessa de entregar as moradias populares em 60 dias.

Segundo o morador Mario Fernandes, 47 anos, ao todo são 52 famílias que residem no local. Até meados desta semana, eram cinco banheiros no local, mas agora apenas dois e uma grande fila de espera.

"Dependendo da hora, até fila forma na porta do banheiro, são poucos para muita gente. O jeito é improvisar um banheiro com lona, já que ainda não terminaram a casa que prometeram pra gente", ressaltou.

Para a moradora Amanda Neri de 22 anos, o jeito foi criar um banheiro com o pouco de lona que ela conseguiu. Mãe de duas crianças pequenas, a jovem diz que as construções das casas estão paradas e agora que os banheiros foram levados, ela tem receio que as condições de vida continuem assim por muito tempo.

"A casa parou de ser construída e tenho medo que demore, não entendi o motivo das retiradas dos banheiros, só sei que ficou um pouco complicado para quem não conseguiu improvisar um", disse.

Mas mesmo com todas as dificuldades, algumas pessoas dizem que mesmo sem o banheiro, o novo local é melhor do que o antigo, como é o caso da moradora Edna Marcelina de 58 anos, que destaca estar se sentindo realizada de ter conseguido uma casa própria.

"Antigamente não tínhamos banheiro e muito menos casa, agora nossas residências ainda não foram terminadas, mas só de estarem quase prontas já é um sonho para quem nem endereço tinha", explicou a mulher.

A equipe de reportagem entrou em contato com a Prefeitura Municipal de Campo Grande, onde informada que não existe previsão de quando os banheiros químicos podem voltar ao bairro Vespasiano Martins, quando interrogado sobre qual seria o motivo, o município disse que seria por contenção de despesas.