Cerca de 160 famílias do assentamento Agrovila, localizado às margens da BR-262, saída para Sidrolândia, em Campo Grande, estão há mais de uma semana sem energia elétrica e sem água. A interrupção aconteceu após uma operação contra ligações irregulares de energia, realizada na última quinta-feira (25), impossibilitando o básico como banhos e permitindo que animais morram de sede.
Segundo os moradores, desde a ação de corte dos gatos, os sem terra tentam se virar como podem, enquanto aguardam um posicionamento da Justiça e da Defensoria Pública. “Até agora estou sem luz. A gente precisa de energia para ligar as bombas de água, mas tiraram tudo e até os fios levaram”, relata Jennifer, 39 anos, dona de casa.
Segundo a mulher, a energia havia sido puxada de forma irregular porque não existe rede oficial regularizada na região. Mas, segundo ela, as famílias estão dispostas a pagar pelo consumo caso tenha possibilidade de regularização.
“Na hora falaram que era ligação irregular, mas não dão opção para a gente regularizar. Se tivesse como, pagaríamos normal”, diz Jennifer.
A falta de energia impacta diretamente a vida cotidiana das famílias, que sofrem com a escassez de água. “Crianças estão indo para escola sem tomar banho, é muito difícil. Quem tem parente próximo até consegue se socorrer, mas nem todos têm”, desabafa a moradora.
Além das dificuldades domésticas, a produção e criação de animais também estão comprometidas. Jennifer conta que uma vizinha perdeu parte dos bichos pela falta de água. “Uma vizinha chegou a ter sete porcos mortos porque não tinha como dar água. Aqui temos galinha, porco, pato, ovelha, todos precisam”, lamenta.
A liderança comunitária busca intermediar a situação e pediu apoio da Defensoria Pública para tentar regularizar o fornecimento de energia no assentamento. Até lá, moradores recorrem a alternativas improvisadas, como o uso de geradores a gasolina, que nem todos conseguem custear.
“Estamos sofrendo muito, é difícil viver sem o básico. Só queremos uma chance de regularizar e ter direito à energia como qualquer cidadão”, conclui Jennifer.







