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Campo Grande

Descaso da administração causa abandono no Jardim Itamaracá

11 outubro 2015 - 17h42Por Izabela Sanchez

Em tempos de ‘crise política e econômica’, os locais periféricos sofrem ainda mais com o descaso da administração municipal. No Jardim Itamaracá, próximo à Avenida Guaicurus, a revolta dos moradores faz com que construam as próprias ações políticas.

“Hoje já nem tem como conversar com os vereadores”. É o que responde o comerciante Décio Macedo, ao ser questionado sobre o diálogo com os políticos.

Décio é um dos moradores que faz parte das ações coletivas no bairro. Ele também acredita que o sistema democrático deveria mudar: as eleições para vereadores deveriam ser, de acordo com ele, setoriais, para que o diálogo e a representação da periferia ocorresse de fato. “Além disso, os vereadores tem que resolver os próprios problemas, já que estão envolvidos com casos de corrupção”, enfatiza.

                             Décio Macedo trabalha 'entre grades' (foto: André de Abreu)

Sujeira, lixo acumulado e falta de segurança são só alguns dos problemas. Os moradores afirmam que o bairro não é atendido pela Solurb, a empresa responsável pela manutenção desses serviços. As pessoas, então, é que varrem as ruas e cuidam para o mínimo de zelo no local. Nas vias, os entulhos se acumulam há tanto tempo, que já cresce vegetação em meio ao lixo.

Além disso, não há sinalização e segurança no bairro. Proprietário de uma loja que conserta bicicletas, Jovino José da Silva, explica que a escola em frente à sua loja deixa os moradores preocupados nos horários de pico. “Nesse cruzamento sempre tem acidente, nem faixa de pedestre tem”, conta Jovino.

                   Jovino conserta bicicletas no Jardim Itamaracá (foto: André de Abreu)

As grades são padrões em todos os estabelecimentos. Entre a desigualdade social e a falta de segurança, os assaltos são ocorrência comuns no local. “Se sair aqui, é muito comum o seu celular ser roubado, por exemplo”, explica Décio. Todos os estabelecimentos do bairro são alvos do problema.

Especulação Imobiliária e cidadania

Outro problema dos bairros da periferia é a expulsão de seus moradores para locais ainda mais periféricos da cidade, já que a especulação imobiliária expande cada vez mais suas fronteiras.  “Estão vendendo todas as áreas verdes daqui. Não vai ter mais espaço pra construir espaços de lazer”, explica Décio. Ele conta que o preço dos terrenos e dos imóveis aumenta mais a cada ano, e muitas pessoas vão embora por não poderem pagar.

Na opinião de Cristina Moura, professora, muitos problemas poderiam ser resolvidos se as pessoas soubessem exercer a cidadania. “As pessoas precisam tirar esse status de que tem que ser alguém para fazer alguma coisa”. Cristina é esposa de Sérgio, um pintor que ficou famoso no bairro por pintar os buracos das ruas, sinalizando o descaso.

Além da falta dos serviços de limpeza e problemas na estrutura física do Jardim Itamaracá, Cristina vai além, e afirma que cabe às pessoas, unidas em coletivos, e ao poder público, conscientizar os moradores para que mantenham um bom espaço de convivência no bairro.

“Até tem praça, por exemplo, mas falta manutenção. Aqui é uma vila carente. Precisamos de projetos de conscientização, muitas pessoas jogam lixo”, defende ela. A professora enfatiza: “É uma luta do cidadão. Essa visão individualista do ser humano é muito falha”.