A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, esteve nesta quarta-feira (8) em Campo Grande como parte do projeto “Vozes dos Biomas”, iniciativa que percorre diferentes regiões do país ouvindo comunidades tradicionais e especialistas para debater soluções sustentáveis e inclusivas diante das mudanças climáticas. A visita teve foco no bioma Pantanal, um dos mais afetados pelos recentes eventos climáticos extremos no Brasil.
Janja destacou a importância de escutar as populações locais, com ênfase nas mulheres, para construir políticas públicas mais eficazes e representativas.
“A gente veio ao Bioma do Pantanal ouvir, principalmente as mulheres, sobre a vida delas nesse Bioma e como elas estão enfrentando as mudanças climáticas. Estamos fazendo essas escutas pelo Bioma brasileiro para levar para a COP30 a voz desses biomas, sobre esses temas”, afirmou a primeira-dama.
Ela esteve acompanhada da ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, que anunciou a destinação de R$ 100 milhões para garantir acesso à água potável em aldeias indígenas de diversos estados, com foco especial no Mato Grosso do Sul — estado que possui a terceira maior população indígena do país.
“Esses recursos já estão assegurados para colocar água nas aldeias indígenas da região de Campo Grande, Aquidauana, Terenos, a grande Dourados, que abriga a maior população indígena urbana do Brasil, e também as regiões de Ponta Porã e Corumbá, no coração do Pantanal”, afirmou Tebet durante o evento transmitido ao vivo.
Denúncias e propostas das comunidades
Durante a visita, Janja se reuniu com representantes de comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas e movimentos feministas. A pesquisadora Jurema Wenerk, enviada especial da COP30 no Brasil, relatou que as conversas trouxeram à tona denúncias graves sobre a falta de políticas públicas efetivas na região.
Entre os problemas apontados pelas lideranças locais estão:
Ausência de ações de prevenção e combate às queimadas;
Deficiências graves na assistência à saúde, especialmente no atendimento a mulheres indígenas durante o parto;
Negação da identidade indígena nas escolas, afetando o reconhecimento e a autoestima das crianças;
Violências estruturais contra mulheres e povos tradicionais.
Apesar das denúncias, a reunião também foi marcada pela apresentação de propostas e soluções vindas diretamente das comunidades.







