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segunda, 17 de janeiro de 2022 Campo Grande/MS
Campo Grande

Falta de estrutura e profissionais da pediatria é realidade preocupante na Capital

20 outubro 2015 - 18h03Por Amanda Amaral

Não é de hoje que a população campo-grandense reivindica melhorias no serviço público de saúde. O atendimento básico que para uns já foi, de fato, menos acessível, tem sido motivo de preocupação para quem depende dele, especialmente para pais e responsáveis de crianças – dessa vez, a falta de profissionais da pediatria é realidade em quase todas as unidades públicas visitadas pela reportagem nos últimos dias.

Desde outubro de 2014, o local referência para o atendimento infaltil é o Cempe (Centro Municipal Pediátrico) – denominado oficialmente como PAI (Pronto Atendimento Integrado) – localizado na região central da cidade, na Avenida Afonso Pena. Até o fim do ano, o prédio deve ser desocupado e os profissionais e equipamentos transferidos para outras unidades de saúde da rede municipal de saúde, o que pegou muitos campo-grandenses de surpresa.

Foto: André de Abreu

“Fico realmente desapontado com essa notícia, porque aqui (no Cempe) normalmente tem tudo o que a gente precisa. Pra mim, essa decisão é política e só demonstra a ineficiência de quem administra essa cidade”, opina o bacharel em direito Antonio Brito, 38 anos, que mora no bairro Universitário mas nunca consegue ser atendido na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da região. Quando sua filha Emanuele, de seis anos, precisa de uma consulta médica, ele diz que o local é o primeiro a ser procurado. “Aqui tem o prédio todo equipado, como vai fazer pra realocar tudo isso nos outros lugares? Pra mim, é pura falácia e a população é quem paga por essa ‘corda bamba’”, enfatizou.


Foto: André de Abreu

Moradora do bairro Pioneiros, a dona de casa Luana Figueiredo, 19 anos, tem dificuldades em encontrar atendimento na região para a sua filha, Ana Julia, de um ano e oito meses. “Sempre levo nas UPAs primeiro, que me aconselham a vir pra pro Cempe, geralmente”, conta ela, que disse ser comum esperar mais de três, quatro ou cinco horas para ser atendida.

A diarista Iranilda Maria dos Santos, de 45 anos, há cinco meses leva sua filha Ana Vitória, de oito anos, para tratar problemas na fala e de memória, e antes disso não encontrava o atendimento em nenhum outro lugar. “A gente fica decepcionado, né? Minha menina estava melhorando, mas agora corremos o risco de começar tudo do zero. A gente sabe que no Cempe não é 100%, que é lotado, mas pelo menos tem quem atenda”, lamenta a moradora do bairro Santa Amélia.

Foto: André de Abreu

Na UPA do bairro Coronel Antonino, segundo lugar mais procurado para o serviço público de pediatria na Capital, o movimento diário é intenso. Em um dia de grande movimento, a reportagem foi conferir como estava o fluxo de atendimento a crianças no local. “Acho que tenho sorte porque não fiquei esperando mais de uma hora pra Beatriz ser medicada, mas estou ciente que não vai ser sempre que vou poder contar com essa ‘agilidade’”, disse a atendente de telemarketing Fernanda Ecket, 23, que mora nas proximidades e saía da unidade com sua filha.


Foto: André de Abreu

No mesmo local, algumas pessoas já estavam esperando há mais de três horas. “Falaram que tem três médicos, mas ouvimos eles comentarem baixinho depois que dois foram embora. Vamos fazer o que? O que sempre fazemos como pobres: esperar”, disse a vendedora Suelen Teixeira, 25, que buscava atendimento para seu filho Caio, de três.

Foto: André de Abreu

Prefeitura e Conselho buscam soluções

A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) se comprometeu em apresentar uma nova proposta para aumentar a pediatria na rede pública da Capital, em reunião a ser realizada na manhã desta quarta-feira (21). Devem estar presentes na discussão os membros do Conselho Municipal de Saúde e representantes da Sesau.

“A partir dessa proposta, vamos analisar se tudo deve ficar de acordo com a legislação. Hoje, da forma que está, é totalmente inviável e prestes a chegar ao ponto mais crítico. A prefeitura alega estar cumprindo seus deveres, as recomendações do Ministério da Saúde, mas na realidade é que não há nada de novo e as demandas só aumentam”, declarou Sebastião de Campos Junior, coordenador da Mesa Diretora do Conselho Municipal de Saúde.