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Campo Grande

Migrante diz que antigo Cetremi virou 'presídio a céu aberto'; prefeitura rebate

Denunciante revela que acolhidos extorquem outros abrigados na unidade

21 maio 2022 - 07h00Por Thiago de Souza

Migrante, que não quis se identificar, garantiu que a Unidade de Acolhimento Institucional para Adultos e Famílias, a UAIFA I, se tornou palco de extorsões, uso de drogas e crimes, em Campo Grande. A prefeitura rebate e diz que o ambiente, antigo Cetremi, é controlado e tem segurança. 

Conforme o relato do acolhido, o local, no Jardim Veraneio, não contaria com agentes da Guarda Civil Metropolitana. Por não haver revista pessoal, somente em algumas mochilas dos frequentadores, armas, drogas e bebidas (pinga) entrariam na unidade. 

Outro problema da unidade, diz o denunciante, é que suspeitos extorquem outros acolhidos, exigindo cigarros, alimentos e/ou dinheiro para comprarem drogas. Em troca, quem paga não é perseguido e ameaçado.   

''Eu 'tô' saindo fora daqui. Não tenho condições de pagar isso direto'', lamenta o homem, que procurou a UAIFA I por não conseguir mais ficar na rua. Deixar os pertences no local também é arriscado, diz o abrigado.

''Tenho que andar com minha mochila, se não roubam'', acrescenta o denunciante.

Acolhido foi morto por colega na fila do jantar. (Foto: Repórter Top)

A omissão de funcionários quando há brigas ou acusações de furto no local seria um quarto problema. No domingo (8), um jovem foi morto a facadas, na fila da janta, após uma briga. O suspeito foi preso na quinta-feira (12).   

Sem controle, diz o denunciante, foragidos da Justiça acessam o local. Ele destaca que a casa de acolhimento se desviou da sua finalidade, que é assistir migrantes e moradores de rua. 

''Tá cheio de presidiário e foragido lá... Eles entram e saem a hora que querem... Tem gente morando há 20 anos lá'', emendou o migrante. 

O local, segundo a Secretaria de Assistência Social, conta com uma ala feminina. O denunciante diz que, à noite, as acolhidas são trancadas dentro de um pavilhão, a fim de não terem relações sexuais com outros atendidos na unidade. 

''O problema é que quando sai briga lá entre elas, ninguém controla... é um terror'', avalia o homem. 

O que diz a SAS 

Por meio da assessoria de comunicação, a SAS garantiu que a unidade conta com policiamento da Guarda Civil Metropolitana, feito com viatura e agentes no local, de forma permanente. O órgão destaca que revistas são realizadas com frequência, para coibir a entrada de objetos e substâncias ilícitas. 

Sobre a presença de foragidos e outros criminosos, a SAS ponderou que o trabalho técnico na unidade inicia no momento da autodeclaração do usuário. 

''Muitos não possuem quaisquers documentos de identificação, o que requer um trabalho de busca de identificação e interlocução com as demais instituições públicas'', diz trecho da resposta. 

Em outro trecho da resposta, a secretaria diz que, nos acolhimentos, os usuários têm livre acesso às atividades e ao alojamento, masculino ou feminino.

Os abrigados também contam com encaminhamentos para tratamento em comunidades terapêuticas, vinculadas à Subsecretaria de Direitos Humanos, acesso às políticas públicas, como em Saúde, Trabalho e Renda. 

O usuário do UAIFA I ainda recebem encaminhamentos a órgãos de defesa e garantia de direitos, como Defensoria Pública, estadual e da União, Ministério Público e Justiça. 

A SAS fez questão de ressaltar que ''tanto a UAIFA I quanto a UAIFA II recebem visitas frequentes da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Ministério Público Estadual e Núcleo Institucional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos – NUDEDH da Defensoria Pública Estadual, além do Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS''. 

Para reclamações e dúvidas sobre o serviço prestado na UAIFA, a SAS informou o e-mail da Ouvidoria da Secretaria: ouvidoria@sas.campogrande.ms.gov.br. Tem também o telefone (67) 3314-4482 ramal 6007, que integra as ouvidorias setoriais que fazem parte da Rede Municipal de Ouvidorias.