Para muitas famílias, o Dia de Finados é uma data de lembrança e saudade e dia de visitar o túmulo de um ente que já se foi, mas para a jornalista Amanda Ferreira, de 25 anos, e a avó, de 71, essa data ganhou um significado ainda mais profundo desde 2021. A perda do tio Evanildo Ferreira, de 48 anos, vítima da Covid-19, fez com que o luto se transformasse em uma rotina de afeto e visitas mensais ao túmulo do professor de geografia.
A jovem lembra que por muitos anos o Dia de Finados não tinha tanto peso, até a morte do tio sensibilizar a família.
Durante a pandemia, Evanildo deixou o município de Sete Quedas e veio passar o confinamento em Campo Grande, ao lado da mãe e da sobrinha. Recém-separado na época, ele encontrou abrigo e carinho na casa da família, onde passou muitos meses próximo das pessoas que o amavam.
Segundo a sobrinha, foram meses de convivência intensa, recheados de afeto e aprendizados.
“Ele foi uma figura muito presente na minha vida desde sempre. Me ensinou a ler, me incentivou na música, comprava gibis, compartilhava sonhos. Não tive uma figura paterna, então ele foi essa referência”, relembra Amanda.
Em fevereiro de 2021, após retornar para Sete Quedas, Evanildo contraiu Covid-19 e foi transferido para um hospital em Amambai, mas não resistiu. “Ele faleceu no dia 25 de fevereiro, um dia antes do aniversário dele”, lamenta.
A família enfrentou dificuldades para o translado do corpo até Campo Grande. O enterro, rápido e sem despedidas, deixou uma dor difícil de ser superada.
“Não conseguimos velar, não conseguimos ver o corpo. Ficou aquele vazio, aquela sensação de que ele ainda estava por perto”, conta a jovem.
Desde então, o Memorial Park, onde Evanildo foi sepultado, virou ponto de encontro mensal entre Amanda e a avó que quando não vão juntas, revezam nas visitas, mas sempre levando flores e garantido presença ao falecido.
Com o tempo, a dor deu lugar a um novo tipo de vínculo. “A gente aprendeu a lidar com a saudade visitando o lugar onde ele está. Não é só no Dia de Finados que lembramos dele, é todo mês. É uma forma de continuar perto, de agradecer pelo que ele foi para gente”, diz a jornalista.







