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Campo Grande

há 3 semanas

Família acusa Exército de omissão e falta de perícia em morte de soldado

Conclusão de Inquérito Policial Militar não aponta responsabilidades por morte de Dhiogo Melo Rodrigues

A conclusão do IPM (Inquérito Policial Militar) que apurou a morte do soldado Dhiogo Melo Rodrigues, ocorrida dentro do CMO (Comando Militar do Oeste), em Campo Grande, não esclareceu responsabilidades nem afastou suspeitas de falhas institucionais, segundo a família. O posicionamento foi divulgado nesta semana.

Em nota, os familiares afirmam que o encerramento do IPM não respondeu questões centrais sobre as circunstâncias da morte do militar, que foi encontrado gravemente ferido enquanto exercia serviço de sentinela no Forte Pantanal. Para a família, o relatório limita-se a apontar que Dhiogo possuía aptidão técnica para o manuseio de arma de fogo, sem apresentar laudo psicológico individual que comprovasse sua aptidão emocional para o serviço armado.

“Aptidão técnica não se confunde com aptidão psicológica. Em nenhum momento foi apresentado documento que comprovasse que Dhiogo estava emocionalmente apto para exercer serviço armado isolado”, diz trecho do posicionamento divulgado pelos familiares.

Além disso, permanecem sem esclarecimento pontos considerados graves, como a ausência de perícia no local do óbito, a retenção do telefone celular da vítima, a falta de transparência institucional e a inexistência de informações públicas sobre protocolos de prevenção adotados.

“Dhiogo entrou vivo no quartel e saiu morto. Estava sob custódia do Estado, cumprindo ordem superior, em ambiente controlado e com armamento fornecido pela própria Administração Militar”, afirmam os familiares, ao destacar que, nessas circunstâncias, o dever de proteção do Estado é reforçado.

Ainda conforme a família, já foi protocolada uma petição formal no Ministério Público Militar solicitando acesso integral ao IPM e manifestação sobre as providências que serão adotadas. Medidas judiciais indenizatórias também estão em preparação, com base na responsabilidade objetiva da União, prevista no artigo 37 da Constituição Federal.

“Não é apenas um pedido por justiça individual. É um alerta. Nenhuma família deveria receber silêncio no lugar de respostas”, diz outro trecho da manifestação. “A família de Dhiogo Melo Rodrigues não vai se calar”.

Relembre o caso

Dhiogo Melo Rodrigues morreu no dia 27 de outubro de 2025, após ser encontrado gravemente ferido em um posto de serviço no aquartelamento do Forte Pantanal, em Campo Grande. Na época, o Comando Militar do Oeste informou que o soldado estava sozinho no local e foi socorrido ao Hospital Militar de Área de Campo Grande, onde não resistiu.

Em nota divulgada no dia seguinte, o CMO afirmou que prestava apoio social, psicológico e espiritual à família e que um Inquérito Policial Militar seria instaurado para apurar as circunstâncias do ocorrido.

A conclusão do IPM, agora contestada pela família, encerra a apuração administrativa militar, mas não impede o avanço de outras medidas nas esferas judicial e ministerial.

Entramos em contato com a MPM (Ministério Público Militar), para apurar o posicionamento sobre os tramites do processo, mas não tivemos respostas até o fechamento.

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