Familiares de Josué Luciano da Rosa, 68 anos, morto após ser atingido por um golpe de faca durante uma briga em uma conveniência no Parque Residencial União, em Campo Grande, lidam com a dor e cobram justiça pela morte do idoso. O autor, Dirceu Mendes de Souza, 72 anos, permanece foragido desde o crime, registrado no domingo (16).
Abalada com a perde, a filha da vítima, Stefany dos Anjos Aquino Rosa, lembra do pai com carinho e faz questão de citar o quanto era querido na vizinhança e frequentador assíduo da conveniência onde o crime aconteceu.
“Aquilo não era um bar qualquer. Era um lugar onde todos se respeitavam. Até crianças passavam ali para comprar alguma coisa. O bairro inteiro via como um espaço tranquilo”, disse.
Stefany relata que, em praticamente todos os fins de semana, estava com o pai no local. Ela tomava açaí, enquanto ele bebia sua cerveja, sempre em clima leve. Mas naquele fim de semana não pôde acompanhá-lo porque participava de atividades da igreja e, no dia seguinte, faria a prova do Enem.
“Ele me mandou bom dia no domingo. Foi nossa última mensagem. Eu já estava saindo para o Enem quando vi. É muito difícil saber que naquele dia eu não estava com ele”, desabafa.
Segundo a filha, o comportamento do suspeito já havia chamado atenção em dias anteriores. Ela afirma que o homem discutiu com outra pessoa na conveniência no sábado e, no domingo, voltou com pretexto de arrumar confusão.
“Parecia que ele estava rondando o lugar como se fosse premeditado. Ele cutucava as pessoas, queria provocar reação. Pelo que entendi, ele até disse para o meu pai ‘você vai ver’. Pagou a conta, saiu e voltou só para fazer a covardia”, detalha.
O golpe de faca atingiu o braço esquerdo de Josué, na região úmero-clavicular. Ele chegou a ser levado pelo dono do bar e amigo próximo da vítima até a UPA Leblon, mas não resistiu à suspeita de hemorragia interna.
“Meu pai não era homem ruim. Ele espalhava alegria. Morreu por uma banalidade, por algo que não fazia sentido nenhum. Não aceitamos essa dor”, diz a jovem emocionada.
Assassinato quebra clima de tranquilidade no União
Moradores do Parque Residencial União afirmaram que o estabelecimento sempre foi visto como um local pacífico, frequentado por pessoas mais velhas.
Nada parecido havia acontecido no bairro.
“Esse bar é muito tranquilo, é frequentado por pessoas mais maduras, pessoas tranquilas. Nunca deu problema”, afirmou uma vizinha que mora ao lado da conveniência.
Outra moradora reforçou o sentimento de choque. “Todo mundo aqui está estranhando muito isso ter acontecido”.
Após o crime, Dirceu deixou o local e ainda não foi localizado. Equipes da Polícia Militar e Polícia Civil fizeram buscas no bairro e na residência dele, onde familiares permitiram a entrada dos agentes. A perícia recolheu vestígios de sangue e identificou câmeras de segurança que podem auxiliar na investigação.
“Ele falou que ia se entregar, mas não fez. Está fugido. Enquanto isso, nós convivemos com a dor. Ele precisa pagar pelo que fez ao meu pai”, pede.
O caso segue em investigação pelas autoridades competentes.







