No corredor frio da Santa Casa em Campo Grande, Jorge Lopes Cardoso, com feridas expostas na perna, espera uma resposta que nunca chega. Há mais de um mês, a família tenta entender por que o paciente, que sofreu um acidente de moto em 22 de setembro, ainda não conseguiu atendimento ortopédico. Isso enquanto a dor, o inchaço e o medo de Jorge aumentam dia após dia.
De acordo com o relato da cunhada de Jorge, o homem quebrou o joelho e a tíbia durante o acidente. Ele foi inicialmente levado para o hospital de Aquidauana, onde médicos tentaram realizar o procedimento cirúrgico, mas a operação não pôde ser concluída porque a veia da perna não estava pulsando, o que indicava risco de necrose. “Tentaram mexer na perna dele, mas não deu certo. Falaram que ele podia perder a perna”, conta a cunhada.
Com o risco de amputação, ele foi transferido às pressas, em vaga zero, para a Santa Casa de Campo Grande quase meia-noite do dia 23. O encaminhamento, no entanto, previa apenas o reparo vascular, a parte ortopédica ficou de fora. E é justamente isso que vem travando a recuperação.
Desde então, a família corre atrás de papéis para verificação de um ortopedista sem apoio. A cada tentativa de contato, uma nova resposta: “falta o documento”. Enquanto isso, o tempo passa, e a ferida piora. “Na Santa Casa, eles alegam que ele não tem o papel do ortopedista, só o encaminhamento para mexer na veia. Desde então a gente está correndo atrás, porque a perna está inchando, saindo sangue e pus. Ele sente muita dor, só toma morfina”, relatou a familiar.
A família conta que os enfermeiros tenta os acalmar falando que é normal que saia pus na recuperação, mas a incerteza deixa os parentes com coração apertado.
Jorge segue internado, e os familiares tentam conseguir o encaminhamento de Aquidauana para Campo Grande, onde ele aguarda o tratamento correto. O medo agora é que, sem a cirurgia ortopédica, o quadro se agrave ainda mais e resulte na amputação do membro.
A família diz que seguirá buscando ajuda junto aos órgãos de saúde para garantir que o atendimento seja feito o quanto antes.
Em nota, a Santa Casa informou que acompanha o caso:
A Santa Casa de Campo Grande informa que, em relação ao paciente Jorge Washington Lopes Cardoso, informamos que seu quadro clínico está sendo acompanhado com atenção pela equipe médica responsável.
De acordo com nossos registros, o paciente foi submetido a uma cirurgia de urgência em sua cidade de origem, onde recebeu o atendimento inicial. Atualmente, apresenta um quadro de infecção de partes moles, o que exige um tratamento criterioso antes de qualquer nova intervenção cirúrgica.
Esclarecemos que, no momento, não há indicação de urgência para a realização de nova cirurgia. A condução do caso permanece sob responsabilidade do município de Aquidauana, sendo necessário o retorno do paciente à cidade de origem para continuidade do tratamento e acompanhamento com o ortopedista que realizou o procedimento, conforme previsto no Código de Ética Médica.
* Matéria editada às 14h de 6/11 para acréscimo da posição da Santa Casa







