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Campo Grande

Humilhação de adolescente faz 'chover' denúncias sobre venda de cursos na rua Dom Aquino

Pais dizem que promessa de encaminhamento ao mercado de trabalho não é cumprida

27 setembro 2021 - 07h00Por Thiago de Souza

Após denúncia da mãe de uma adolescente, de 17 anos, vítima de uma venda de cursos disfarçada de oportunidade de emprego, dezenas de reclamações chegaram ao site de notícias. O gerente da empresa, na rua Dom Aquino, nega falsas promessas. 

O caso, inicialmente exposto no Grupo Aonde Não Ir em Campo Grande, foi noticiado em detalhes pelo TopMídiaNews, em 22 de setembro. 

São pais e mães que revelaram passar o mesmo constrangimento, ao nutrir esperanças que o filho conseguiria vaga no mercado de trabalho, mas era apenas um oferecimento de cursos. Pagos e caros.  

Elizângela, de 43 anos, conta que viveu a mesma situação com os dois filhos, um rapaz e uma moça. Na reclamação dessa mãe, ela lembra a empresa ofereceu cursos gratuitos e que só a apostila seria paga. Ao chegar com o filho, em 2011, Elizângela disse que viveu constrangimento. 

‘’Faltei serviço para ir lá. Eles dizem que ao final do curso o garoto vai para o mercado de trabalho. Depois fazem uma entrevista separada dos pais e dizem que não passou no teste. Depois oferecem outros cursos’’, lembrou a vítima. 

‘’É um constrangimento, tanto para o pai quanto para o adolescente, que ouvem que ao final do curso irão para o mercado de trabalho, mas não é nada disso’’, constatou Elizângela. 

As centenas de reclamações após a postagem no Facebook não foram novidade para a mãe. 

‘’Estava admirada de alguém ainda não ter reclamado desta empresa. Não sei o que esta empresa está fazendo aberto’’, diz a mãe, que acredita que não foi a primeira nem será a última a ser enganada.

Humilhação

Assim como no caso da adolescente, que gerou a denúncia, há relatos de humilhação aos clientes, quando da entrevista. 

Diarista, de 33 anos, conta que o filho foi chamado para uma entrevista, há cerca de um mês e meio. O que era para ser uma entrevista de emprego para menor aprendiz, se tornou uma venda de curso. Mas o pior estava por vir. 

‘’Cheguei lá num sábado e começaram e perguntar sobre os meus pais. Aí eu falei que não tinha dinheiro para pagar cursos e que era para meu filho vender salgados e bolo de pote na rua para pagar’’, lamentou a diarista. 

A mãe diz ter recebido pressão psicológica para contratar o curso. 

‘’... eles me falaram que a família nunca ia chegar a ter alguém com melhor situação porque não investimos no estudo’’, contou a mulher. 

O TopMídiaNews recebeu diversas outras reclamações, sempre com a mesma história. 

Resposta

O gerente-geral da empresa de cursos garante que convida as pessoas para uma ‘’entrevista avaliativa’’ e não uma entrevista de emprego. Ele diz que, caso o candidato não passe no teste, ele é direcionado para a venda de cursos. 

Ainda segundo o empresário, cerca de 300 pessoas passam por mês na empresa e que o número de reclamações é baixo. No entanto, na postagem da rede social foram centenas de reclamações. 

O dono da empresa disse ainda que não tem como controlar a frustração das pessoas, diante da informação que não foram selecionados na entrevista. Ele se disse aberto a receber as pessoas que têm alguma queixa da empresa.