Na manhã deste domingo (23), foi realizado o velório de Rafael da Silva Costa, de 35 anos, morto na última sexta-feira (21), após uma abordagem policial. A família agora busca justiça no caso, já que testemunhas alegam que houve truculência policial.
O irmão da vítima falou com a reportagem do TopMídiaNews no local. Segundo Thiago, ele teria ido ontem até a delegacia para registrar um boletim de ocorrência com a versão da família sobre o caso, mas a polícia informou que não seria possível, já que ele não estava no local no momento do incidente, que não poderia fazer uma denúncia com base no que “outras pessoas disseram”.
Para conseguir confeccionar o boletim, Thiago conversou com duas testemunhas, que presenciaram o caso, e que se despuseram a ir depor. Além disso, ele pretende ir na Corregedoria de Polícia nesta segunda-feira (24).
Não conseguem entender
Rafael era usuário de drogas e já havia apresentado surtos em outras ocasiões. Conforme o boletim de ocorrência, elaborado pela polícia, ele estava em um supermercado na região do bairro Tarsila do Amaral, com comportamento alterado e alegando perseguição.
O jovem teria resistido a abordagem e desacatado os policias, que precisaram usar “diferentes métodos de contenção”. Durante o procedimento, apresentou crise convulsiva e espuma na boca, sendo imediatamente atendido pelos policiais com procedimentos de lateralização e preservação dos sinais vitais, enquanto era solicitado atendimento médico de urgência.
O rapaz foi levado à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Nova Bahia, onde inicialmente perdeu os sinais vitais, mas foi reanimado pela equipe médica. Apesar da estabilização inicial, ele acabou falecendo posteriormente.
Entretanto, a família contesta essa versão. Eles teriam recebido uma ligação de outros familiares, com a informação de que Rafael estava sendo agredido por policiais; eles se deslocaram para a UPA, mas ele já estava entubado, tendo chegado sem batimentos cardíacos, com machucados e com hematomas condizentes com o uso de pistola de teaser.
“Não tenho dúvidas que ele foi a óbito por consequência dos policiais”, disse Thiago. A família está muito abalada ao mesmo tempo, revoltada, pois não entendem o que aconteceu para o Rafael ter ido a óbito.
Rafael tentava sair do mundo das drogas por meio da religião, e havia começado a frequentar a mesma igreja que a esposa. Ele deixa três filhos, de 13, 10 e seis, e o menor ainda não entende o que aconteceu com o pai.







