Em Campo Grande, um trabalho silencioso e constante há mais de 15 anos vem transformando a vida de centenas de pessoas que enfrentam limitações de mobilidade. À frente do Instituto Sol Amarelo, o enfermeiro Daniel, fundador e presidente, explica que o projeto se tornou uma verdadeira referência em solidariedade no Mato Grosso do Sul, com alcance que já ultrapassou as fronteiras do estado.
“Nós pedimos ajuda por meio das redes sociais, das pessoas que têm para doar, e repassamos para quem precisa por meio de uma lista de espera, devido à alta demanda”, conta Daniel. O Instituto arrecada materiais hospitalares e ortopédicos, como andadores, cadeiras de rodas, cadeiras de banho e camas hospitalares, e realiza todo o processo de coleta e entrega — indo até o local para buscar e levar o que é necessário.
Mais do que uma ação assistencial, o Sol Amarelo é um trabalho coletivo, “feito a várias mãos”. “Somos a corrente do bem, que vai ligar a pessoa que precisa à pessoa que tem a doação”, resume o enfermeiro.
A história do projeto nasceu de uma experiência pessoal. Em 2010, Daniel sofreu uma lesão no tornozelo enquanto jogava bola e precisou usar um par de muletas e uma bota ortopédica. Depois da recuperação, percebeu que poderia dar novo destino aos itens. “Comecei emprestando para parentes e amigos. Quando o material voltou pra casa, eu olhava pra ele e sentia um peso, me lembrava do acidente. Então resolvi anunciar no Facebook que estava emprestando — até poderia levar”, relembra.
O que começou com um simples post ganhou proporções inesperadas. Pessoas começaram a pedir outros tipos de materiais, como cadeiras de rodas e cadeiras de banho. Daniel, então, passou a conectar quem precisava com quem podia doar, criando uma rede espontânea de solidariedade que cresceu rapidamente. “Depois de um ano, percebi que aquilo já era um trabalho social. Foi quando senti que precisava dar um nome — e Deus nos abençoou com o nome Sol Amarelo.”
Hoje, o Instituto é reconhecido em Campo Grande e em outros municípios do estado, com registros de doações que chegaram até Cáceres, no Mato Grosso. São centenas de histórias que se entrelaçam em um gesto comum: ajudar o próximo.
Com dedicação, empatia e fé, o Sol Amarelo segue iluminando vidas — mostrando que a solidariedade, quando compartilhada, é capaz de se multiplicar em esperança.







