Moradores de Campo Grande enfrentaram filas e longas esperas na CAC (Central do Cidadão) em busca de esclarecimentos sobre a cobrança do IPTU 2026. Entre os casos registrados, estão idosos e famílias que, mesmo tendo direito à isenção, receberam o carnê do imposto, além de reajustes que ultrapassam o índice divulgado pelo município.
Um dos casos acompanhados pela reportagem é de uma idosa de 82 anos, identificada pelas iniciais A.B.G., moradora do bairro Santos Dumont. Dona de casa durante toda a vida, ela nunca contribuiu com a Previdência Social e, por isso, não conseguiu se aposentar. Sem renda própria, depende do benefício do marido, que também é idoso e aposentado.
Em 2025, o IPTU do imóvel foi de aproximadamente R$ 1.700. Já neste ano, o valor subiu para cerca de R$ 2.300, um aumento de quase R$ 600, percentual superior ao índice de reajuste divulgado, de 5,32%. A filha da idosa relatou que desconhecia o direito à isenção para aposentados e pensionistas e procurou o atendimento para obter orientações.
Família desconhecia direito de isenção em Campo Grande (Foto: Berlim Caldeirão)
Devido ao tamanho da fila e à necessidade de outro tipo de atendimento, elas optaram por retornar em outra data. A intenção é pagar o imposto à vista, com desconto de 10%, antes do prazo de 12 de fevereiro, e posteriormente solicitar a isenção para os próximos anos.
Outro caso é o da dona de casa Roseli Geabardo, de 57 anos, moradora do bairro Parque Novo Século, na região das Moreninhas. Ela vive em uma casa vinculada à EMHA (Empresa Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários), o que garante isenção do IPTU. Mesmo assim, recebeu neste ano um carnê no valor de R$ 556.
Roseli afirmou que procurou a Central para regularizar a situação, mas ficou incomodada com a falta de informações claras. Segundo ela, a isenção para moradores de casas da EMHA não é permanente e precisa ser renovada, porém o prazo e a periodicidade dessa renovação não foram informados pelos atendentes.
Além disso, ela destacou os transtornos causados pela necessidade de comparecer presencialmente ao local, o que afetou a rotina da família. O marido precisou se ausentar do trabalho para levá-la até o atendimento, e agora ela terá de retornar outro dia com a documentação exigida. O prazo para apresentação dos documentos vai até 31 de julho.
Roseli também aproveitou a ida à Central para denunciar problemas estruturais no bairro. Segundo ela, ruas sem patrolamento, buracos no asfalto, descarte irregular de lixo e praças abandonadas fazem parte da realidade local. O marido dela, que é assalariado, teve um prejuízo de aproximadamente R$ 2.500 com a suspensão e outros reparos no carro, causados pelas más condições das vias.
De acordo com a moradora, outros vizinhos que também têm direito à isenção receberam carnês indevidamente, enquanto alguns não receberam, o que gerou ainda mais confusão e insegurança entre os moradores.







