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Entre o amor e a luta

23/12/2025 18:10

Maternidade atípica: entre medo e esperança, mãe aprende a ser forte todos os dias

História de Letícia expõe medos, renúncias e superação diária, além da necessidade de informação sobre direitos e rede de apoio para mães atípicas

A rotina de mães atípicas, marcada por desafios diários, sobrecarga emocional e pouca rede de apoio, ganha cada vez mais visibilidade no debate público. A história de Letícia Correia, que vive intensamente as demandas do filho com necessidades específicas, revela não apenas a realidade dessas famílias, mas também a importância do amparo jurídico, como explica a advogada e conselheira seccional da OAB/MS, Vitória Junqueira, especialista em direito de famílias.

No universo da maternidade, há histórias que carregam silenciosamente batalhas diárias. A de Letícia Correia, mãe do Téo Henrique de 3 anos, que têm necessidades específicas, é uma delas. Ela descobriu o termo "mãe atípica" apenas depois de enfrentar o impacto do diagnóstico do filho, um momento que descreve como "o fim do mundo".

"Já imaginei que meu filho teria pouco tempo de vida. Me senti perdida no meio de tanta informação e ainda mais pelo desespero de não ter a segurança financeira necessária para tudo o que ele iria precisar", relembra.

A expressão mãe atípica, até então desconhecida para ela, acabou se tornando um ponto de identificação e acolhimento. "Me deu conforto. Sou mãe, só não sou como as outras. Isso me deu uma espécie de aceitação da nossa nova realidade", relata.

De acordo com Vitória Junqueira, advogada de famílias e Conselheira Seccional da OAB/MS, o termo mãe atípica tem ganhado cada vez mais visibilidade.

Segundo ela, embora Letícia relate que muitas pessoas ainda desconhecem a expressão, o reconhecimento social do termo tem ajudado a fortalecer debates sobre políticas públicas e direitos dessas famílias. Vitória explica que a legislação brasileira já contempla diversos mecanismos de proteção a crianças com deficiência ou necessidades específicas, o que, na prática, também abrange suas mães e cuidadores principais.

Entre os direitos garantidos estão prioridade em serviços públicos, acesso a tratamentos pelo SUS, políticas de educação inclusiva e benefícios assistenciais a depender da condição da criança. Para a especialista, esses dispositivos legais são fundamentais, mas ainda pouco conhecidos pelas próprias famílias.

"O reconhecimento jurídico é importante, mas o acesso real a esses direitos ainda é um desafio. A informação precisa chegar às mães, que muitas vezes enfrentam jornadas exaustivas e solitárias", afirma.

Uma rotina marcada pelo imprevisível

Para Letícia, ser uma mãe atípica é "lidar com o desconhecido todos os dias". Ela descreve a maternidade marcada por dias bons e dias difíceis, em que a ausência de comunicação com o próprio filho a faz sentir-se, por vezes, incapaz. Ainda assim, celebra cada progresso. "Quando tudo passa, nos sentimos aliviadas e agradecemos a Deus por cada vitória diária".

Os maiores desafios estão ligados ao desenvolvimento do filho e à alta demanda de cuidados. "Não consigo atender tudo, porque a demanda é gigante, mas sei que estou fazendo o que posso. Supero um dia de cada vez", diz. Em muitos dias, a frustração aparece, mas logo dá lugar à esperança. "Se hoje não deu certo, amanhã dará".

Em meio às responsabilidades, Letícia admite que acabou se anulando. "Minhas necessidades no momento é atender as dele. Não sobra muito tempo pra mim”.

Dentro de casa, ela conta com uma parceria sólida. O marido e o filho mais velho dividem tarefas e ajudam na rotina do irmão. "Somos muito colaborativos um com o outro", afirma. Porém, quando se trata de amigos e parentes, o cenário é outro. "São bem distantes. Não recebo o apoio que gostaria, mas entendo que todos têm suas tarefas".

O medo que acompanha mães atípicas

Entre todos os sentimentos, há um que Letícia descreve como o mais profundo: o medo de um dia faltar.
"Ele sempre vai precisar de mim e ninguém o entende da forma que eu entendo. Não posso nem pensar nisso".

Para tentar se preparar, ela conversa com o filho mais velho sobre a importância do papel dele na vida do irmão. "Um dia pode ser ele a cuidar do irmão".

Vitória, a advogada, destaca ainda que histórias como a de Letícia são fundamentais para que a sociedade compreenda o que é ser uma mãe atípica e por que a rede de apoio, pública, familiar e comunitária, é tão essencial.

 

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