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Campo Grande

há 3 meses

Mãe de Jullian cria associação para apoiar famílias em luto e buscar justiça em Campo Grande

Associação Anjo Gabriel quer ajudar famílias a solucionar crimes e superar o luto

A dor de perder o filho, Jullian Gabriel da Silva Acosta, assassinado a facadas, em Campo Grande, fez a mãe, Katiuscia Valentina Bogarim, criar a Associação Anjo Gabriel para acolher e orientar famílias que enfrentam o mesmo sofrimento.

A inauguração será no dia 31 de outubro, no Sítio Aconchego, localizado na saída para São Paulo, Rua Hidelfonso, s/n. O espaço vai receber reuniões semanais e atendimentos presenciais, além de oferecer apoio online pelo WhatsApp (67) 99328-4586, voltado a mães e familiares em luto.

“Não traz o Jullian de volta, mas a gente tem a grande calmaria de ver esse cara condenado, pagando pelo que fez com meu filho. E assim eu quero ajudar outras mães”, afirma Katiuscia.

A associação será coordenada por ela e por Bruna Nóbrega, administradora e neuropsicóloga, que juntas pretendem criar uma rede de apoio e ação. “A Associação Anjo Gabriel vai atender todas as mães enlutadas e todas as mães que não conseguiram solucionar os crimes dos filhos. A gente quer ajudar essas mulheres a buscarem justiça, como eu fiz no caso do Gabriel”, explica.

Katiuscia relembra que a própria família foi fundamental na investigação do crime. “Meu filho foi atrás das câmeras, a minha filha foi atrás de saber onde o cara estava. A gente ajudou a polícia e falou que o cara estava na casa dele. Matou meu filho por uma bicicleta. A gente queria ele preso — e graças a Deus ele foi preso e condenado”, conta.

O projeto pretende atuar em duas frentes como acolhimento emocional e apoio na busca por solução de crimes. “Através do luto que a gente sofreu com o Gabriel, resolvemos ajudar outras mães. Queremos que elas nos procurem para as reuniões semanais e também para trocar experiências, fazer um panorama de cada caso e buscar soluções”, destaca.

Além do trabalho de apoio e mobilização, Katiuscia reforça que o foco também é o cuidado com os familiares. “Solucionar os crimes, prender os autores e trabalhar também o luto da mãe e dos familiares. Porque meu filho Mateus até hoje não se recuperou da morte do irmão, e vai demorar um pouco”, desabafa.

O caso

Jullian Gabriel da Silva Acosta, de 32 anos, foi assassinado na madrugada de 9 de janeiro de 2025, após uma confusão durante uma bebedeira em um bar na Avenida dos Cafezais, em Campo Grande. De acordo com a mãe, ele estava a caminho da casa da namorada quando encontrou amigos e decidiu beber com eles. Durante o encontro, houve um desentendimento e Jullian foi esfaqueado diversas vezes.

O corpo foi encontrado com as vísceras expostas e ferimentos em várias partes do corpo, inclusive nas costas e tornozelo. Após o crime, a vítima ainda teria tentado fugir, deixando um rastro de sangue a cerca de 150 metros do local.

O autor, Janderson Maxwell Rochy Silva, foi preso e levado a julgamento em setembro. Ele optou por permanecer em silêncio durante o depoimento ao Tribunal do Júri. A sentença, de 17 anos e 6 meses de prisão, foi considerada “justa” pela família.

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