Uma moradora do bairro Jardim São Bento, que não quis se identificar, denunciou a falta de manutenção e cuidados com a Praça República do Líbano, após a feira livre realizada todo terceiro sábado do mês, das 18h às 22h, em Campo Grande.
Segundo ela, no dia da feira, a praça, localizada entre as ruas São Bento, Fagundes Varela e Avenida Primeiro de Maio, fica tomada por carros e caminhões de comida, que impedem a passagem de veículos de moradores do bairro e pedestres.
“Aqui não passa uma ambulância no dia da feira. Food trucks enchendo as ruas estreitas da praça, que é um triângulo minúsculo. O ponto de ônibus desaparece por culpa dos veículos parados lá”.
Ela alega que os moradores já entraram em contato com a Agetran (Agência Municipal de Trânsito) e Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), mas o retorno não é o esperado. “Ligamos e sempre dizem: ‘vamos mandar a fiscalização no sábado, no dia da feira’, mas nunca mandam”, detalha.
Além disso, a moradora também aponta que os moradores precisam conviver com o lixo deixado na praça no final do evento, que também, segundo ela, não segue as normas de licença ambiental.
“Isso é para se fazer com planejamento. Eles fazem ‘gato’ e puxam energia do poste. Está há meses aqui e não tem licença ambiental. Nenhuma dessas feiras aqui são autorizadas por lei”, argumenta.
“Estamos cansados, nós moradores cuidamos da praça, plantamos, colocamos placas e não somos respeitados com o mínimo de salubridade e sossego”, finaliza.
Campo Grande possui mais de 60 feiras livres espalhadas em diversos bairros. Em julho deste ano, a prefeitura e a Câmara Municipal discutiram sobre a criação de uma legislação que fortaleça esses espaços de convivência, empreendedorismo e valorização da cultura local.
A reportagem entrou em contato com a feira e, conforme Natália Basseto, uma das organizadoras, os moradores e os feirantes nunca apresentaram problemas como os citados pela moradora.
“Nós fazemos a feira há mais de um ano, e nunca tivemos reclamações quanto a isso. Somos muito abertos com todos os moradores e prezamos pela limpeza da praça, afinal, são mais de 150 famílias que trabalham na feira e tiram seu sustento dali. Inclusive, quando a prefeitura não estava fazendo a limpeza da praça, fomos nós, os organizadores da feira, que nos mobilizamos para fazer, contratamos jardineiro e fizemos mutirão", destacou.
Basseto ainda pontuou que é regra da organização que cada expositor leve sua própria lixeira, e recolha os dejetos ao final de cada evento, já que a praça não apresenta coleta suficiente.
"Desde que iniciamos a feira, foram feitos diversos ofícios solicitando a implantação de lixeiras na praça - o que nunca foi feito". Sobre o trânsito no local, ela também argumenta que há regras para cada expositor. "Com relação a concentração de carros, todos os expositores são orientados a não estacionar em frente a garagens e estamos sempre de olho para que tal situação não aconteça. Nosso trabalho é oferecer bem estar e oportunidades para pessoas, levando cultura e entretenimento para locais que estavam vazios e esquecidos", finaliza.
A reportagem entrou em contato com a prefeitura de Campo Grande, mas não obteve retorno até o fechamento da matéria. O espaço segue em aberto para manifestações.







