O fim de ano foi marcado por uma sequência de mortes de gatos em um condomínio residencial localizado na Avenida dos Cafezais, no Jardim Centro-Oeste, em Campo Grande. Moradores denunciam que quase dez animais teriam sido mortos por envenenamento nos últimos dias.
Um dos casos é o da gata Juju, que havia dado à luz há cerca de 20 dias. O tutor, o supervisor de produção José Gutenberg, relatou que o animal chegou em casa na véspera do natal cambaleando e com um cheiro extremamente forte, o que levantou a suspeita imediata de intoxicação.
Após diversas mensagens no grupo do condomínio de pessoas com gatos mortos em sua porta, o supervisor de produção desconfiou que fosse essa a causa da morte de Juju.
“Como já estava tendo essa matança de gatos, eu falei para minha esposa que tinham dado veneno para ela”, relatou. Na tentativa de socorro, a família conseguiu fazer com que o animal vomitasse parte da substância. Mesmo assim, o cheiro do veneno era tão intenso que os moradores da casa passaram mal, incluindo uma criança.
A família registrou um boletim de ocorrência na Decat (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Ambientais e de Atendimento ao Turista). Segundo o tutor, houve registros semelhantes no condomínio desde antes de ter sua gatinha - de 1 ano e seis meses -, quando cerca de oito a doze gatos teriam sido mortos da mesma forma, sem que providências efetivas fossem tomadas. “Quando fizemos o boletim de ocorrência, o próprio policial comentou que o cheiro ainda estava muito forte nela”, disse José.
O condomínio é composto por cerca de 160 casas, e os moradores utilizam um grupo interno de mensagens para se comunicar. Foi por meio desse grupo que começaram a surgir, nos últimos dias do ano, diversos relatos de gatos encontrados mortos em portas, quintais e áreas próximas à praça.
Mensagens enviadas por moradores relatam animais desorientados, com sintomas compatíveis com envenenamento, além de corpos encontrados próximos à portaria e em ruas internas.
“Isso é crime. Essa pessoa não deve viver em sociedade. Já tive problemas com gatos, reclamei com a síndica e não tive resposta. Telei meu portão e resolveu”, escreveu uma moradora.
Outro relato aponta que um gato foi visto saindo da área da praça “todo desorientado”, antes de morrer. Há ainda denúncias de que veneno estaria sendo espalhado em vários pontos do condomínio, o que aumenta o risco não apenas para os animais, mas também para crianças.
“Minha filha poderia ter pegado ela no colo. Imagina uma criança entrando em convulsão por causa de veneno”, desabafou José. A gata Juju deixou cinco filhotes, que agora estão sendo cuidados pela família com o apoio de uma ONG de proteção animal. O leite específico para os filhotes custa cerca de R$ 85 a cada 100 gramas, e a ajuda foi viabilizada por meio de doações.
Segundo o tutor, a maior indignação é a falta de providências da administração do condomínio. A Polícia Civil informou que casos de envenenamento de animais configuram crime ambiental, conforme a legislação vigente, e podem resultar em pena de reclusão e multa.
José conta que quando os filhotes estiverem fortalecidos poderão entrar em processo de doação, para quem tiver interesse, entre em contato com José Gutenberg (67) 9191-4264.
No susto do que estava acontecendo, família grava a gata convulcionando para buscar ajuda (Crédito: Repórter Top)







