Moradores do bairro Recanto das Palmeiras, em Campo Grande, denunciam a falta de infraestrutura básica e relatam uma situação de abandono por parte do poder público. O bairro já existe há mais de três décadas e ainda enfrenta problemas graves, como ruas esburacadas, ausência de asfalto, falta de iluminação pública, transporte coletivo precário e insegurança.
Ao conversar com a reportagem do TopMidiaNews, uma das moradoras relata que as reivindicações são antigas e nunca são atendidas. “A gente não pede luxo, pede o básico para conseguir viver com dignidade”, afirma.
Durante a reportagem, a equipe mostrou um ponto de ônibus localizado literalmente no meio do mato, sem qualquer estrutura. As ruas apresentam muitas valas abertas, buracos e trechos intransitáveis, principalmente em dias de chuva. Segundo os moradores, após as 21h o transporte público deixa de circular no bairro, já que os ônibus não conseguem entrar devido às condições das vias e à completa escuridão.
A falta de iluminação pública agrava ainda mais a situação. Sem luz e com o mato alto tomando conta das ruas, o bairro se torna perigoso à noite. Segundo relatos, uma moradora foi assaltada recentemente ao retornar do trabalho; o criminoso levou sua bolsa.
A precariedade das ruas do bairro também tem causado prejuízos materiais aos moradores. Mônica, moradora há mais de 26 anos na região, relata que o marido sofreu um acidente de moto ao não enxergar um buraco no escuro. A motocicleta ficou danificada, gerando um prejuízo de cerca de R$ 2 mil. Outro vizinho contou que, ao sair de ré da garagem, caiu em um buraco e teve a suspensão do carro danificada. O conserto ficou em aproximadamente R$ 1.500.
As más condições das vias também dificultam o acesso de serviços por aplicativo. Moradores contam que motoristas frequentemente recusam corridas ao perceberem a situação do bairro, temendo danos aos veículos ou o risco de atolar.
Além disso, o Recanto das Palmeiras não conta com escola para atender crianças pequenas, como uma EMEI (Escola Municipal de Educação Infantil), nem com posto de saúde. A unidade de atendimento mais próxima é a UPA do Universitário. Uma situação que chamou a atenção ocorreu recentemente: uma moradora relatou que, após levar o neto para atendimento médico, foi liberada por volta das 22h e não encontrou ônibus para voltar. Ela precisou caminhar da UPA até sua casa, carregando a criança no colo, chegando apenas por volta da meia-noite.
O líder comunitário do bairro, Maicon Moreira, informou que já encaminhou diversos ofícios à Prefeitura, a vereadores e até ao presidente da Câmara Municipal, mas até o momento não recebeu nenhuma resposta ou posicionamento. Segundo ele, os moradores sequer sabem se os pedidos foram analisados.
Mesmo compreendendo que o asfalto possa não ser viável no momento, os moradores pedem medidas emergenciais, como patrolamento e cascalhamento das ruas, para amenizar os problemas, principalmente no período de chuvas, quando algumas vias se tornam completamente intransitáveis.
Diante de toda a situação relatada, os moradores pedem providências urgentes e esperam, finalmente, uma resposta do poder público. A reportagem entrou em contato com a Prefeitura e solicitou um parecer sobre a situação do bairro, mas até a publicação da matéria não obteve retorno.







