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Campo Grande

Nas ruas, prioridade é clara: mais hospitais, menos Aquário do Pantanal

21 março 2016 - 07h00Por Amanda Amaral

Os milhões de reais alçados para custear o Aquário do Pantanal, em Campo Grande, crescem a cada ano e, conforme matéria publicada no TopMídiaNews, seriam o suficiente para que fossem construídos três hospitais de grande porte em Mato Grosso do Sul. Para saber o que a população pensa sobre isso, e questionar o que poderia ser feito com esse valor caso pudessem escolher o melhor para a cidade, a reportagem foi às ruas da Capital e a conclusão obtida é de que ao menos boa parte das pessoas não concordam com a obra ‘faraônica’ de R$ 230 milhões.

“Hospital seria prioridade, já tive muitas dificuldades, 20 dias que procuro atendimento e não consigo, tive que pagar particular, com meu dinheiro sofrido. Eu mesmo nem sei o que é esse aquário aí, não tenho o menor interesse, o que me importa é policiamento, asfalto e iluminação onde eu moro”, opina o pedreiro Sebastião Aparecido da Silva, de 55 anos. Ele reclama também da falta de policiamento, iluminação e saneamento básico nas regiões mais afastadas do Centro, que "não ficam tão à vista como essa tal obra, por isso governo finge que não existem". 

 

“É um dinheiro jogado fora sem tamanho”, considera o técnico em contabilidade Vilson Rezende, 57 anos. “É um absurdo essa construção, poderia colocar toda essa equipe de trabalho pra fazer coisas mais produtivas, como hospitais e escolas, não é como se já tivesse o bastante pra deixar de fazer”, adiciona. 

Ele chama atenção para reivindicações antigas da população que são deixadas de lado, e lamenta que não tenha mais tanta esperança para que algo mude.“É sempre assim: se uma pessoa pobre furta um palito, vai presa. Um político desvia milhões em um projeto como esse e não conseguem punir”, observa o campo-grandense.

Para encerrar a obra, o Governo do Estado terá que pagar - além dos R$ 230 milhões já investidos - algo em torno de R$ 6 milhões para a empresa responsável pela obra. O montante deve ser empenhado neste ano.


O aposentado Raimundo Carlos Sobrinho, 71 anos, fala com experiência de quem há muito tempo observa as ‘prioridades questionáveis’ do poder público. “Tem que rir pra não chorar. Você acha que pobre vai frequentar aquilo? Que quem merece mesmo um entretenimento, um passeio, um final de semana digno depois de dias de trabalho duro, vai visitar o Aquário? Aquilo é coisa pra turista! Governo fala que não tem dinheiro, que vive em crise... Eu não acredito mais na palavra desses políticos e voto nulo. Tão cedo essa bandidagem não vai mudar”, opina, com desapontamento.

Para o casal Cristiane Bentes, 36 anos, e Antonio Carlos Bezerra da Silva, 44, mesmo que a atração seja inaugurada em breve para visitação, não se sentem ‘à vontade’ para desembolsar ainda mais dinheiro para os ingressos, que devem custar em média R$ 30 por pessoa. “Falta de respeito né. Esse dinheiro a gente usa pra comprar remédio que está sempre em falta nos postos de saúde”, reclama Antonio, que também chama atenção para o estado do asfalto em Campo Grande e das estradas no interior do Estado, bastante prejudicadas pelas chuvas e que atrapalham a rotina de milhares de pessoas.

“Acham que está suficiente o número de creches? Pois eu não, muita gente sente na pele que não. É uma tristeza pra achar vagas, meu filho fica em uma lista de espera enorme, muita criança fica sem ter onde ficar, aí os pais não tem como trabalhar. Político só entra no poder pra enganar o povo, ficam observando de fora o sofrimento alheio”, lamenta Cristiane.

A dona de casa Lurdes Ledesma, 50 anos, se preocupa com o futuro deixado aos mais jovens, já que considera que medidas deveriam ser tomadas agora para evitar problemas futuros, muitas viabilizadas pelo dinheiro aplicado nas obras do Aquário. “Saúde e educação ficam pra trás. Acompanho todos as notícias que saem sobre esse Aquário nos jornais e não entendo. Investir em um negócio desses com o nosso dinheiro, pra depois deixar material estragando e depois ter que fazer tudo de novo? Olha o tanto de problema aí na cidade, cadê a noção desse governo, né?”, questiona.