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Onda de agressões contra LGBTs é cultural e homofóbicos precisam de tratamento, diz psicóloga

Casos vem sendo registrados com mais frequência em Campo Grande

03 novembro 2018 - 09h30Por Kerolyn Araújo

A onda de agressão contra LGBTs e bares do mesmo público tem crescido cada vez mais em todo o Brasil. Em Campo Grande, no dia 11 de outubro, uma jovem foi atingida por uma pedrada em frente a uma casa noturna. Antes de jogar a pedra nas pessoas que estavam na calçada, o agressor teria gritado 'Bolsonaro 17'.

Segundo a psicóloga psicodramatista Adriane Rita Lobo, a maior parte dos casos de homofobia está relacionada a maneira com que a pessoa foi criada e o poder que o agressor quer ter sobre a vítima. ''Esse tipo de violência traduz uma homofobia muito grande entre as pessoas. É uma questão de poder: que eu posso fazer com aquela pessoa que está na minha frente desprotegida? Isso mostra a inexistência de valores", explicou.

Adriane ressalta que, em vários casos, essa agressividade vem de 'berço'. ''É algo cultural. Nem todos os homofóbicos nasceram homofóbicos. Alguns homens, desde crianças, foram ensinados a serem machistas, que homem não chora, que tem que pegar todas as meninas. Isso fica na cabeça dos meninos desde cedo. Ficam com a visão de que homem é isso", disse.

Conforme Adriane, essa cultura acaba fazendo com que o agressor se ache no poder de interferir na vida do próximo. ''Isso causa um egocentrismo muito grande, do 'eu posso tudo, mando em tudo'. O agressor precisa entender que em momento algum foi dado o direito de destruir bares, agredir e amedrontar outras pessoas". 

Nesses casos não só a vítima precisa de ajuda de um profissional, mas o agressor também. ''O homofóbico precisa de ajuda. É importante entender de onde vem essa fobia, o pavor, o ódio. O que é que está mexendo comigo? É uma cultura imposta ou de fato eu tenho dificuldade de lidar com quem é diferente de mim?".

Casos em Campo Grande

Na madrugada do dia 17 de fevereiro de 2018, quatro rapazes foram agredidos na saída de uma boate LGBT no bairro Chácara Cachoeira. As vítimas estavam esperando um Uber, quando um outro veículo parou. Os ocupantes do carro desceram e espancaram os rapazes com pedradas e garrafadas.

No dia 11 de outubro, uma jovem estava em frente a outra boate LGBT na rua Marechal Cândido Mariano, quando foi atingida por uma pedrada nas costas. Ela foi lançada pelo motorista de um carro que passou em alta velocidade no loca, gritando 'Bolsonaro 17'.