Pacientes em tratamento oncológico no Hospital Alfredo Abrão, em Campo Grande, denunciam a falta de medicamentos essenciais e atrasos na realização de exames, situação que, segundo eles, não está relacionada ao atendimento médico ou hospitalar, mas ao descaso do poder público com a saúde.
Uma aposentada, que preferiu não se identificar, trata câncer de mama e faz acompanhamento no hospital desde 2022 e afirma que, até o mês passado, nunca houve falta de medicação. Segundo ela, o problema é recente e tem afetado todos os pacientes que dependem do remédio.
“Eu trato lá há mais de dois anos e nunca faltou. Agora, desde o mês passado, não tem medicação para ninguém”, relatou.
Diante da falta do medicamento, a paciente precisou comprar o remédio por conta própria para não interromper o tratamento. “Eu paguei R$ 90 porque encontrei uma promoção, mas o valor normal, é R$ 110. Nem todo mundo consegue pagar isso”, disse.
Segundo aposentada, consultas e procedimentos vêm sendo remarcados em razão do desabastecimento. Um retorno que estava previsto para o dia 06 de janeiro foi reagendado para o dia 16, aumentando a angústia de quem depende do tratamento contínuo.
Além disso, a aposentada denuncia atrasos frequentes na marcação de exames, fundamentais para o acompanhamento do câncer. “Antes era fácil marcar os exames que a médica pedia. Agora, meus exames já atrasaram dois meses e vão atrasar mais um mês, porque disseram que reduziram a quantidade por falta de recursos”, explicou.
Para aposentada, o impacto é ainda maior para pacientes em situação de vulnerabilidade. “Eu ainda consigo comprar o remédio, mas tem gente ali que não tem dinheiro para nada. Câncer é uma doença muito triste, muito difícil, e esse descaso machuca ainda mais”, lamentou.
Indignada, a paciente também critica a falta de atuação dos representantes políticos. “Os vereadores não fazem nada. Na época de eleição aparecem pedindo voto, mas ninguém está realmente preocupado com a população”, desabafou.
A reportagem procurou a Secretaria Municipal de Saúde e a direção do Hospital Alfredo Abraga para esclarecer a falta de medicamentos e a redução na oferta de exames, mas até o fechamento desta matéria não houve retorno.







