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Ministério da Saúde deixa faltar e caderneta da criança vira renda para comerciantes na Capital

Cyber Café no Caiobá chegou a receber cinco pedidos por dia em setembro

29 outubro 2018 - 09h30Por Thiago de Souza
Ministério da Saúde deixa faltar e caderneta da criança vira renda para comerciantes na Capital

A procura por cópias da Caderneta da Criança, material usado em consultas médicas para acompanhamento da saúde dos pequenos, aumentou em Campo Grande desde que a distribuição foi suspensa pelo governo federal. Uma comerciante no Portal Caiobá viu na falha do poder público uma oportunidade de lucro e imprime o material por R$ 35.

De acordo com Arianny Ortega, que atua em um cyber café, a primeira encomenda veio de um homem na semana do dia 7 de setembro. Ela relata que ele gostou da qualidade da impressão e sugeriu que postasse na rede social para divulgar o trabalho.

Assim que publicou a oferta, a internauta recebeu vários pedidos de impressão da caderneta. Foram ao menos 50. Nos comentários, a maioria mães, deixam o telefone e até endereço para entrega.
Arianny lembra que houve momentos com até cinco pedidos por dia. Em outra situação, média de oito encomendas por semana.

''Agora que tem mais gente fazendo isso diminuiu'', constatou a jovem. Ortega oferece a impressão da caderneta com a capa original e também com capas personalizadas, umas com a foto e o nome da criança.

Caderneta tem 92 páginas e a impressão custa R$ 35 (Foto: Reprodução Facebook)

O problema com o material, que é de responsabilidade do governo federal, ocorre de norte a sul do país. Inclusive, uma mulher questionou Arianny se ela fazia entrega das impressões na região do ABC Paulista ou na Estação do Metrô Jabaquara, na capital paulista.

As mães aprovaram a atitude da vendedora e criticaram o descaso do poder público, responsável pela entrega das cadernetas, já que a impressão por conta própria tem custos.

''A caderneta vira e mexe falta na rede pública. Aí imprimem uma preto e branco bem feia, só grampeada'', desabafou uma mãe na rede social. Outras relatam que o pedido de impressão vem dos próprios médicos dos filhos delas.

Sem nos identificar como reportagem, ligamos para uma copiadora que fica na avenida Eduardo Elias Zahran. A atendente já sabia de pronto o valor e de que material se tratava: R$ 51 a impressão.

Em agosto deste ano, o TopMídiaNews noticiou a primeira falta da caderneta nos postos de saúde de Campo Grande. As mulheres foram às redes sociais denunciar o caso. À época, em relação ao problema, a Secretaria Municipal de Saúde respondeu que a sugestão de imprimir era feita para quem tivesse condições.

Na sexta-feira (26), a Prefeitura de Campo Grande informou que houve remessa do material pelo Ministério da Saúde e que como havia demanda reprimida, poderia haver faltas pontuais.