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Campo Grande

27/08/2025 18:11

Polícia explica por que homem não foi preso após ato obsceno na UFMS

Corporação afirma que ato obsceno não prevê prisão em flagrante, diferente da importunação sexual.

Após ser vítima de ato obsceno dentro das dependências da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), a estudante de audiovisual Alice Jardim Neves, de 25 anos, foi à delegacia com provas do crime, ocorrido na noite da última segunda-feira (25). Entretanto, se surpreendeu com o fato de que o suspeito não permaneceu preso, e foi liberado no mesmo momento que ela.

Conforme a Polícia Civil, é importante entender as diferenças entre ‘ato obsceno’ e ‘importunação sexual’. “Muita gente acredita que todo crime deve levar à prisão imediata. Mas a lei é clara e precisamos falar sobre isso”, disse em nota encaminhada à reportagem. 

“O processo segue em frente mesmo sem a prisão. O autor responderá judicialmente, e a justiça será feita dentro dos parâmetros legais”, complementa. 

O crime de ato obsceno faz parte do artigo 233 do Código Penal, e é classificado como “a prática de ato libidinoso (obsceno) em lugar público, aberto ou exposto ao público, com a intenção de se satisfazer ou satisfazer a outrem. Exemplo: Masturbação ou sexo explícito em um parque, praça ou via pública. A pena máxima do crime é de 01 ano (Impossibilidade de prisão em flagrante)”. 

Já a importunação sexual, prevista no artigo 215-A do Código Penal, indica pena máxima de cinco anos e possibilidade de prisão em flagrante. “É praticar contra alguém e sem a sua anuência (sem consentimento) ato libidinoso com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro. A vítima é o alvo direto da conduta. Exemplos: Esfregar o corpo contra alguém no ônibus coletivo (encoxada), tocar suas partes íntimas, perseguir com propostas sexuais insistentes e obscenas”.

A vítima disse que pediu para a polícia levá-la para casa, já que estava saindo no mesmo momento que o suspeito, mas recebeu negativa. Na nota, a Polícia Civil esclarece que o transporte é oferecido apenas pela Casa da Mulher Brasileira.

O caso


Uma estudante de audiovisual da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) de Campo Grande flagrou um homem se masturbando ao ar livre, na noite de segunda-feira (25). Nas redes sociais, a jovem denunciou ter sido assediada pelo suspeito e filmou a situação, ocorrida na Concha Acústica, local onde há apresentações culturais da instituição. 

“Pessoal, sofri um assédio na Concha da UFMS, por volta das 21h. Estava sozinha e ele chegou e começou a falar coisas pejorativas [...]. Gostaria de compartilhar o vídeo para circular a cara do desgraçado e para ficar como alerta”, postou a estudante. 

Ela contou que estava no local quando, por volta das 21h, o homem a abordou e perguntou as horas. Após a informação, o suspeito teria ido para o canto da Concha; a jovem achou estranho e foi buscar a mochila, que estava no palco. 

“Quando cheguei perto, percebi que ele ainda estava ali. Ele perguntou se eu tinha cigarro e, em seguida, começou a falar coisas obscenas. Logo depois, tirou o pênis para fora e começou a se masturbar, me chamando: ‘vem cá, você vai gostar’. Eu continuei fingindo que estava no telefone e fui saindo. Foi então que tive a ideia de filmar. Gravei o rosto dele e saí correndo”. 

Ela foi à delegacia, mas relatou que o delegado de plantão não quis ver a prova do ato, e o homem foi liberado no mesmo momento que ela. Perguntei: ‘Ué, mas nada vai acontecer?’ e me disseram que não, porque a lei só permite prisão em casos de estupro comprovado”.

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