Oito novas ambulâncias do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foram entregues pela Prefeitura de Campo Grande, nesta quinta-feira (21), em meio a denúncias de sucateamento do serviço e à desconfiança da população, que já presenciou veículos e equipamentos encostados enquanto pacientes aguardavam por socorro.
A solenidade, realizada na base do Samu recém-reformada e em comemoração aos 20 anos do serviço, não contou com o otimismo da população que denuncia com frequência a falta de macas até ambulâncias paradas por falta de combustível.
Em julho deste ano, o TopMídiaNews mostrou que 8 viaturas novas permaneciam estacionadas no pátio da base, acumulando poeira, enquanto pacientes chegavam a esperar horas por atendimento, inclusive em casos graves.
Na ocasião, a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) afirmou que os veículos estavam emplacados e segurados, mas aguardavam habilitação do Ministério da Saúde para começar a rodar. A justificativa, no entanto, não evitou críticas sobre a demora em colocar os carros em operação.
Coincidência ou não, o número de ambulâncias entregues hoje é o mesmo daquelas que ficaram paradas. A entrega causa ainda desconfiança da população, que convive diariamente com um sistema de saúde alvo de investigações do Ministério Público por problemas que envolvem filas na ortopedia à falta de sondas de alimentação em hospitais.
Os números apresentados pela secretaria dão uma ideia da sobrecarga do serviço. O Samu recebe cerca de 650 ligações por dia, sendo mais de 18 mil ao mês e realiza em média 800 transportes entre UPAs, CRSs e hospitais. Nesse cenário, cada viatura a menos faz diferença no atendimento.
Para quem depende do Samu em situações de urgência, a esperança é que, desta vez, a promessa de renovação da frota não termine esquecida no pátio da base.
OUTRO LADO
A Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande (SESAU) esclarece que o evento realizado nesta quinta-feira (21) teve como objetivo a entrega da reforma do Complexo Pioneiros, base do SAMU, que há 20 anos não recebia melhorias estruturais.
O espaço, considerado o coração do serviço, concentra equipes, equipamentos e almoxarifado, garantindo suporte essencial para o atendimento à população.
Reforçamos que não houve entrega de ambulâncias no evento. A frota atualmente em operação é composta por veículos novos, e aqueles ainda inativos aguardam autorização do Ministério da Saúde para entrar em atividade — exigência legal necessária para evitar sanções ao município.
Assim, não há sucateamento da frota ou omissão da gestão municipal, mas sim respeito às normas vigentes.
A SESAU reafirma seu compromisso com a valorização do SAMU, a transparência e a melhoria contínua da rede de saúde, em benefício da população de Campo Grande.







